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2010 / 2011: a safra de cana que “não foi possível” em 2009 / 2010

31 de março de 2010

undefinedEstimativas realizadas pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) apontam para um aumento de 10% na moagem de cana-de-açúcar na safra 2010/11, que começa oficialmente amanhã (01/04). O total projetado para a nova safra deve atingir 595,89 milhões de toneladas, contra os 541,50 milhões de toneladas estimados para a safra 2009/2010, que termina hoje.

Para o diretor técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, a previsão de aumento na moagem deve ser avaliada com cautela. “A cana que deverá estar disponível para a produção de etanol e açúcar na safra 2010/2011 é praticamente a mesma que estava no campo no início da safra 2009/2010, que teve a colheita severamente prejudicada pelas condições climáticas desfavoráveis. Em outras palavras, em termos de moagem, a nova safra deverá ser aquela que não foi possível concretizar no ano passado.”

Os dados levantados pela UNICA, bem como as imagens de satélite feitas no Centro-Sul, indicam que não houve expansão significativa na área de cana disponível para colheita nas regiões tradicionais. Dessa forma, o incremento de moagem previsto para 2010/2011 se deve ao elevado volume de cana bisada (cana que não foi colhida na safra passada) e, em menor proporção, ao aumento de moagem em unidades novas, com destaque para os Estados do Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais.

Em grande parte, a tímida expansão da área cultivada pode ser explicada pelo retardamento dos impactos da crise financeira mundial do final de 2008 e pelos preços baixos experimentados pelo setor desde 2007. Devido a esses fatores, muitas usinas ficaram descapitalizadas e sem condições de realizar investimentos significativos em seus canaviais nos últimos dois anos.

Qualidade da matéria-prima

As previsões meteorológicas disponíveis para 2010 apontam para um início de safra um pouco mais chuvoso do que o normal, porém com expectativa de clima frio e seco nos meses de inverno – julho, agosto e setembro. Esse é o período em que mais de 45% da cana é colhida.

Com essa expectativa climática, espera-se também um aumento na concentração de açúcares na cana para índices melhores do que os observados na safra que se encerra. Apesar da melhora esperada, estimativas da UNICA indicam que o valor para a safra 2010/11 deverá permanecer abaixo dos níveis históricos, devido a três principais fatores:
• A evolução da colheita mecanizada;
• A antecipação do início da safra, com diversas usinas moendo a partir de março;
• O elevado volume de cana bisada a ser colhida em 2010/2011
(cerca de 12% da cana disponível para colheita na nova safra é cana que deixou de ser esmagada na safra anterior)

Dessa forma, a quantidade de ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) por tonelada de cana deverá atingir 138,59 kg, um incremento de 6,3% em relação aos 130,36 que devem ser observados no fechamento dos números para a safra 2009/2010.

Condições do canavial

Os preços pouco remuneradores dos últimos anos e as condições climáticas atípicas em 2009 impactaram severamente o perfil do canavial a ser colhido na safra 2010/2011. Além do elevado volume de cana bisada, observa-se uma redução significativa na quantidade de cana de primeiro e segundo cortes, que são os mais produtivos. Nota-se ainda o crescimento da proporção de cana de cortes mais velhos e menos produtivos.

Esse envelhecimento do canavial deve reduzir a perspectiva de um aumento de produtividade da cana na safra 2010/2011. Esse desequilíbrio do canavial também deve impactar de forma mais intensa o volume de cana disponível para colheita na safra seguinte, em 2011/2012. Isso porque a cana mais “velha”, de quinto ou mais cortes, representa quase 25% da área de cana na região Centro-Sul do País. Essa área precisará ser reformada (novo plantio), o que levará a uma provável redução na área disponível para colheita em 2011/2012 em muitas regiões produtoras.

“O setor vai precisar investir fortemente na renovação do canavial ao longo deste ano, para garantir o crescimento da oferta a partir da safra 2012,” avalia Rodrigues.

Novas unidades produtoras

A UNICA estima que 10 novas unidades iniciarão suas atividades na safra 2010/2011. É um número bem inferior ao que tem sido observado nos últimos anos, reflexo da desaceleração no crescimento do setor. Foram 25 novas unidades na safra 2007/2008, 30 em 2008/2009 e 19 em 2009/2010.

As novas unidades esperadas para 2010/2011 estão localizadas nos Estados de Minas Gerais (3), Goiás (2), São Paulo (2), Mato Grosso do Sul (1), Mato Grosso (1) e Rio de Janeiro (1).

Produção de açúcar e de etanol

Do total de cana esperado para a safra 2010/2011, a UNICA projeta que 43,29% serão destinados à produção de açúcar, um pequeno acréscimo em relação aos 42,57% que deverão ser observados nos números finais da safra que se encerra. Assim, a exemplo dos anos anteriores, a maior parte da cana colhida na nova safra (56,71%) deverá ser utilizada na produção de etanol.

A produção de açúcar na nova safra deverá totalizar 34,09 milhões de toneladas, aumento de 19,1% em relação aos 28,63 milhões de toneladas que devem ser produzidas na safra 2009/2010. A produção de etanol, por sua vez, deverá atingir 27,39 bilhões de litros, crescendo 15,6% sobre os 23,70 bilhões de litros da safra anterior.

Dos 27,39 bilhões de litros de etanol que deverão ser produzidos, 20,14 bilhões serão de etanol do tipo hidratado, um total 15,4% maior do que os 17,46 bilhões de litros produzidos em 2009/2010. O total de etanol do tipo anidro deve atingir 7,25 bilhões de litros, um aumento de 16,2% sobre o volume produzido na safra passada.

Mercado de açúcar e de etanol

As exportações brasileiras de açúcar devem apresentar índice de crescimento inferior ao esperado para a produção. Enquanto o crescimento na produção de açúcar deverá atingir quase 5,50 milhões de toneladas, as exportações devem avançar apenas 3,30 milhões de toneladas, atingindo o total de 24,30 milhões de toneladas exportadas na próxima safra.

A cada dois anos, ocorre um movimento cíclico no setor que alterna crescimento de exportação com o aumento da produção. Na próxima safra, cerca de 9,79 milhões de toneladas de açúcar devem permanecer no mercado doméstico para recompor os estoques e atender à demanda interna.

Ao contrário do que ocorre no mercado de açúcar, as exportações de etanol devem apresentar uma retração significativa na safra 2010/2011, chegando a 1,80 bilhão de litros contra 2,75 bilhões da safra passada. A queda deverá chegar aos 34,5% comparado com as exportações da safra anterior.

O aumento da produção e a retração nas exportações irão resultar em um incremento de mais de 4,50 bilhões de litros na oferta de etanol para o mercado doméstico, volume suficiente para atender à demanda futura pelo produto no mercado interno.

Ainda em relação ao mercado doméstico, cabe ressaltar que as vendas de veículos continuam em ritmo acelerado, com veículos Flex respondendo por mais de 90% das vendas de automóveis novos no País. Projeções indicam que até o final da safra 2010/11, a frota Flex, que hoje representa 40% da frota total (ciclo Otto), deve chegar aos 49%. Considerando-se as estimativas de produção e exportação de etanol na nova safra, o cenário de oferta e demanda no mercado interno deve permanecer equilibrado.

Números finais da safra 2009/2010

Os números finais da safra 2009/2010, que oficialmente se encerra hoje, serão apresentados no próximo release mensal de atualização da safra, que será divulgado na primeira metade de abril. Os valores de produção e moagem da safra 2009/2010 utilizados nestas estimativas são preliminares e podem sofrer pequenos ajustes.

Para acessar os dados da safra, clique aqui.

SOBRE OS DADOS DA SAFRA

Os dados divulgados nesta estimativa de safra são compilados e analisados pela UNICA, com números fornecidos pelos seguintes sindicatos, associações e institutos de pesquisa:

ALCOPAR- Associação dos Produtores de Etanol e Açúcar no Estado do Paraná
BIOSUL – Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul
CTC – Centro de Tecnologia Canavieira
INPE  – Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais
SIAMIG – Sindicato da Ind. de Fabricação do Etanol no Estado de Minas Gerais
SIFAEG – Sindicato da Indústria dos Fabricantes de Etanol do Estado de Goiás
SINDAAF – Sindicato Fluminense dos Produtores de Açúcar e Etanol
SINDALCOOL – Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso
SUDES – Sociedade das Usinas e Destilarias do Espírito Santo