8 de novembro de 2011

undefinedA conclusão bem sucedida das negociações para um acordo de livre comércio entre a União Européia (UE) e o Mercosul beneficiaria a segurança energética na Europa, promovendo a concorrência entre produtores, reduzindo custos e ajudando os biocombutíveis a se tornar uma alternativa real para combustíveis fosséis. Com acesso preferencial ao mercado europeu, o etanol de cana-de-açúcar brasileiro, que apresenta as maiores taxas de redução de gases de efeito estufa, teria um papel complementar e não de substituição da produção européia de bicombustíveis. A assessora sênior da presidência da União da Indústria de Cana de Açúcar (UNICA) para assuntos internacionais, Géraldine Kutas, levou estas mensagem à Conferência Internacional sobre as Relações Comerciais entre o Mercosul e a União Européia, realizada no dia 14 de outubro em Lisboa, Portugal.

O evento, organizado pelo presidente do Comitê de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Professor Vital Moreira, reuniu empresários e líderes políticos das duas regiões para discutir questões que dificultam a finalização de um acordo UE-Mercosul. A UNICA participou do evento no contexto de sua parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que visa promover o etanol de cana-de-açúcar em todo o mundo como fonte de energia limpa e renovável.

“O etanol de cana já contribuiu para a transição bem sucedida do Brasil para uma situação de independência energética. O Brasil pode compartilhar a experiência de sua próspera indústria de bicombustíveis, neste momento em que a Europa procura promover uma ampla variedade de fontes de energia sustentável. No entanto, tarifas elevadas da UE continuam a dificultar as importações de etanol de cana-de-açúcar para o mercado europeu. O comércio é uma via de mão dupla. O Brasil eliminou os impostos de importação para o etanol há dois anos, e no início deste ano, etanol proveniente dos Estados Unidos e da Europa foram importados para complementar a produção brasileira que foi prejudicada pelas condições meterológicas,” lembrou Kutas durante sua apresentação.

Sobre as contribuições ambientais do etanol de cana, Kutas destacou que o etanol brasileiro é um combustível limpo e renovável que reduz as emissões em mais de 70% comparado com gasolina, de acordo com a Diretiva Europeia para Promoção de Energias Renováveis (RED). Ela acrescentou que o biocombustível brasileiro pode ajudar a Europa com suas metas para diminuir emissões até 2020, reduzindo sua pegada de carbono no setor de transportes e melhorando a segurança energética.

“Se a Europa quiser realmente atingir suas metas ambientais e energéticas, não pode continuar comercializando petróleo livremente, impondo altas taxas de importação para o etanol de cana-de-açúcar brasileiro; o acordo comercial UE-Mercosul é a plataforma apropriada para discutir e atingir estes objetivos,” concluiu Kutas.

Também participaram do painel o gerente executivo da entidade Brazilian Business Affairs (BBA) na Europa, Rui Faria da Cunha; o vice-presidente da confederação industrial de Portugal (CIP), João Gomes; o presidente da Gallo Worldwide, empresa portuguesa que produz e distribui azeite de oliva distribuído mundialmente, Pedro Cruz; e o presidente da Confederação Portuguesa de Fazendeiros (CAP), João Pedro Machado. O painel foi moderado por Edite Estrela, integrante do Parlamento Europeu e da Delegação para Relações com os Países do Mercosul.

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