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Adoção do etanol no Reino Unido ainda depende de políticas públicas

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10 de março de 2009

Para a associação de fazendeiros britânicos The Farmers Club, o Reino Unido ainda precisa implementar políticas públicas consistentes que favoreçam a adoção do etanol como combustível automotivo no país. A entidade, com mais de 150 anos de tradição e mais de 5 mil produtores filiados em todo o Reino Unido, enviou um grupo de representantes ao Brasil para estudar vários setores agrícolas nacionais. Nesta quarta-feira (04/03/2009), uma delegação composta por 30 pessoas visitou a sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), em São Paulo, para compreender por que a produção brasileira de etanol é considerada uma das atividades mais sustentáveis do mundo.

John Reynolds, líder do grupo, avalia que a visita é estratégica para o grupo, que já desenvolve pesquisas com biocombustíveis. “Para nós é importante conhecer este modelo de produção e uso de energias renováveis desenvolvido no Brasil, principalmente no que se refere à fabricação de etanol”. Fundado em 1842, uma das missões do The Farmers Club é disseminar informações sobre o desenvolvimento de novas tecnologias para o campo e fomentar relacionamentos comerciais entre seus membros, todos representantes de diferentes atividades agrícolas.

Na UNICA, os visitantes britânicos assistiram a uma apresentação feita pela relações institucionais da entidade, Carolina Costa, que explicou como funciona toda a cadeia produtiva do setor sucroenergético, desde a colheita de cana-de-açúcar até a fabricação e uso dos seus três principais derivados: açúcar, etanol e bioeletricidade.

Costa demonstrou os efeitos provocados pelo crescimento na demanda por etanol no País. A preferência dos brasileiros por um combustível limpo e renovável acabou obrigando a indústria automobilística, a partir de 2003, a investir pesado na produção e comercialização de carros movidos a biocombustíveis. Atualmente, 90% dos veículos fabricados no Brasil já saem de fábrica com tecnologia flex, o que possibilita ao motorista, na hora de abastecer o tanque do carro, escolher entre gasolina, etanol ou a mistura de ambos em qualquer proporção. Mais de 60 modelos flex são oferecidos no País por dez montadoras.

Para se chegar a este cenário, Costa lembrou que sem a adoção de algumas medidas estruturais seria impossível dar suporte à evolução da indústria sucroenergética nacional. Dentre elas, destacou a importância do Programa Brasileiro de Álcool, mais conhecido com Próalcool, lançado pelo governo na década de 1970, e a mistura obrigatória de 25% de etanol anidro à gasolina como sendo políticas cruciais para o crescimento do setor no Brasil.

“Precisamos que o Reino Unido adote políticas semelhantes às praticadas no Brasil para que as energias renováveis ganhem espaço em nosso país”, comentou Reynolds.
Outro tema que gerou interesse da delegação britânica foi o processo de mecanização da colheita de cana-de-açúcar que vem sendo adotado por usinas no Centro-Sul do Brasil. Os visitantes demonstraram preocupação com a manutenção de empregos dos cortadores de cana, e foram informados que várias usinas desenvolvem programas de qualificação profissional destes trabalhadores. Desde 2006, também vigora um protocolo assinado pela UNICA e a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (FERAESP), para aperfeiçoar continuamente as condições de trabalho rural no setor sucroalcooleiro.

Os benefícios ambientais gerados pela produção e utilização do etanol pela frota veicular leve brasileira também foram destaques da apresentação feita aos estrangeiros. Desde sua introdução em 2003, os carros flex já ajudaram a evitar a emissão de 45 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, graças ao uso preferencial de etanol por seus proprietários. Este número equivale ao plantio e manutenção por 20 anos de mais de 143 milhões de árvores nativas, segundo dados do “Carbonômetro”, dispositivo que pode ser consultado no site www.etanolverde.com.br.

Ao final do encontro, a representante da UNICA aproveitou a oportunidade para convidar os visitantes a participar da segunda edição do Ethanol Summit, que será realizado nos dias 1, 2, 3 de junho de 2009, no Sheraton WTC Hotel, em São Paulo. O evento, que já ocorreu em 2007, visa a debater a produção e a sustentabilidade dos biocombustíveis, com foco especial no etanol. Além dos 130 palestrantes de diversos países, ligados a entidades públicas, privadas, instituições de ensino e de pesquisa, o Ethanol Summit 2009 acolherá chefes de Estado, CEOs de grandes corporações, 1,5 mil participantes e cerca de 400 jornalistas da imprensa nacional e estrangeira. Outra novidade é a realização de um evento paralelo, o Brazil Ethanol Trade Show, onde cerca de 80 expositores apresentarão novas tecnologias para aplicação em energias renováveis e biocombustíveis.