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Agronegócio brasileiro: fazendo mais com menos

30 de maio de 2016

Mesmo sendo um dos países que contam com um dos menores apoios governamentais à sua agricultura, o Brasil continua apresentando protagonismo no agronegócio mundial, situando-se entre os maiores exportadores em diversos produtos, a exemplo do açúcar e do etanol. De acordo com o índice de Estimativa de Apoio ao Produtor (PSE, em inglês), levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que representa o quanto da receita bruta dos produtores rurais de 22 países é proveniente de recursos públicos, o Brasil ocupa atualmente a 17ª posição neste ranking.

Estimativa de Apoio ao Produtor  (PSE) – 2013 e 2014 – Percentual de receita agrícola bruta (OCDE)

Com somente 4,4% da sua receita agrícola bruta subsidiada em 2014, o País é o que apresenta o menor índice de apoio dentre aqueles com maior PIB e relevância na produção e comércio de produtos do agronegócio. Fica, portanto, bem atrás de regiões e países como Noruega (58,4%), Japão (49,2%), China (20,2%), União Europeia (18%), México (13,3%), Estados Unidos (9,8%), Canadá (9,0%) e Rússia (8,9).

O diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão de Sousa, explica que o Brasil seria um dos maiores ganhadores com a redução expressiva de subsídios no mundo, com benefícios diretos aos países mais competitivos e àqueles mais pobres.

“No caso do setor sucroenergético, vale destacar que, mesmo com a falta de apoio governamental e gargalos na infraestrutura, o Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar. Detemos 20% da produção mundial e 40% das exportações de açúcar. Para o etanol, estes números giram em torno de 25% e 37%, respectivamente”, informa o diretor da UNICA.

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) revelam que em 2015 a participação do agronegócio na balança comercial brasileira foi recorde, respondendo por 46,2% de tudo o que foi vendido ao exterior. Exportou US$ 88,2 bilhões e importou US$ 13,3 bilhões, apresentando um saldo de US$ 75,2 bilhões. Entre janeiro e abril deste ano, este superávit já alcançou US$ 24,1 bilhões, principalmente por causa da comercialização de soja (32,65%), carnes (15,66%), produtos florestais (12,05%) e sucroenergéticos (9,63%), além de cereais (8,19%) e outras provisões agrícolas (21,83%) no mercado internacional.

Relatório

Outras análises feitas pela OCDE indicam que entre os anos 2012 e 2014, um sexto da receita agrícola bruta nos países abrangidos pelo recente relatório adveio de políticas de apoio aos produtores, envolvendo um repasse total de US$ 601 bilhões.

Para o período 2013-2014, o estudo identificou que, em percentuais, o PSE aumentou de maneira significativa na Islândia e Suíça (de seis a quatro pontos), além de EUA, Israel e Indonésia (três pontos). Em menor escala aparecem México, Brasil, China e Noruega (dois pontos). Por outro lado, houve expressiva retração de subsídios no Cazaquistão (oito pontos) e de forma mais amena no Japão e Rússia (três pontos), seguidos de UE, Colômbia e Canadá (dois pontos).

Para ler o resumo do relatório da OCDE, clique aqui.