24 de junho de 2013

A falta de uma política de longo prazo para a bioeletricidade causa distorções e dificulta a comercialização da energia extraída dos canaviais. O argumento foi defendido pelo gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar de Souza, durante o 3º Seminário CEISE Br/UNICA sobre Bioeletricidade, realizado em Ribeirão Preto (SP) no dia 5 de junho: “Política industrial para a bioeletricidade e o modelo do sistema elétrico.”

Segundo Souza, a carência de medidas claras causa equívocos, como o que ocorrerá em agosto no próximo leilão A-5, quando a energia extraída do bagaço e da palha da cana concorrerá com térmicas e carvão mineral, sem nenhuma diferenciação quanto à questão das emissões de gases que causam o efeito estufa (GEEs).

“Um MWh produzido por essas fontes joga mais de uma tonelada de CO2 na atmosfera, enquanto a bioeletricidade tem um balanço neutro. No entanto, o modelo de precificação não faz nenhuma distinção. Reforço a ideia de modificação desse modelo o mais urgente possível,” afirmou.

Como contraponto à argumentação de Souza, o representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Luciano Sousa, detalhou duas propostas que serão apresentadas ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A primeira trata do aprimoramento do modelo que estabelece o custo e o benefício de cada fonte nos leilões regulados e a segunda buscará melhorar o nível de conteúdo local de fornecimento ao setor elétrico, o que deve favorecer a bioeletricidade na competição direta com outras fontes nos leilões. Segundo ele, tais recomendações ajudarão a estimular a continuidade da expansão da bioeletricidade sucroenergética na matriz energética brasileira.

“É necessário elaborarmos uma nova metodologia de cálculo do Índice Custo-Benefício (ICB) dos leilões, que possa considerar a proximidade do centro de carga, período de geração quando a fonte hídrica apresenta menor volume, uso de recursos naturais disponíveis e custo de transmissão, reconhecendo-se o valor real de cada fonte,” explicou.

Além do MDIC e da UNICA, o evento contou com palestras do Subsecretário de Energia do Estado de São Paulo, Milton Flávio Marques Lautenschlager e do secretário da Indústria e Comércio de Sertãozinho, Carlos Liboni.

Lautenschlager lembrou a importância que o setor sucroenergético tem para São Paulo, destacando os produtos oriundos da biomassa da cana. O subsecretário falou ainda sobre os estudos que o governo paulista está promovendo para estimular a produção de gás através da biodigestão da vinhaça pelas usinas sucroenergéticas.

Já Liboni lembrou em sua apresentação as necessidades da cadeia produtiva, desde o fornecedor de bens de capital até a unidade industrial. Para ele é preciso discutir maneiras de estimular a bioeletricidade.

O evento foi organizado pela UNICA e pelo Centro das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISE Br), em parceria com a FEA-RP/USP e Núcleo de Estudos em Economias de Baixo Carbono (EBC).

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