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Baviera: cresce conscientização na Alemanha sobre Etanol

8 de março de 2012

Na Baviera, maior estado alemão, a mistura de 10% de etanol à gasolina (E10) já é compreendida como uma medida necessária e benéfica para a diversificação da matriz energética. A informação é do secretário de Agricultura, Pesca e Silvicultura da Baviera, Helmut Brunner, que visitou a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) na terça-feira (06/03), em São Paulo (SP), à frente de uma delegação de 25 representantes de empresas e instituições alemãs.

“Após uma polêmica inicial, podemos observar que os consumidores já aceitam o E10,” afirmou Brunner. O diretor de Comunicação Corporativa da UNICA, Adhemar Altieri, que recebeu o grupo na sede da entidade, lembrou que em janeiro de 2011, quando foi introduzida a mistura de etanol à gasolina na Alemanha, houve uma reação negativa dos consumidores que gerou inúmeros contatos com a UNICA de veículos de comunicação alemães, em busca de mais informações sobre o uso do etanol combustível.

“Por falta de informação, muita gente dizia na Alemanha que o uso do E10, ou gasolina com mistura de 10% de etanol, causaria danos aos motores dos veículos e isso, naturalmente, gerou muita preocupação. No Brasil, a mistura de etanol à gasolina é uma realidade há décadas, e não há registros significativos de problemas técnicos ou prejuízos para os motores,” afirmou. Ele lembrou ainda que uma grande montadora alemã, a Volkswagen, foi uma das pioneiras no lançamento da tecnologia flex no Brasil, em 2003, tendo participado de forma destaca também da produção de veículos movidos exclusivamente a etanol, na década de 80.

Durante sua apresentação para a delegação alemã, Altieri mostrou um cenário geral da produção de etanol, açúcar e bioeletricidade. Os convidados manifestaram interesse em relação à utilização da tecnologia flex no País, a expansão dos canaviais para ampliar a produção e a participação de capital estrangeiro no setor sucroenergético.

Diversificação da matriz

A Alemanha pretende ampliar a participação de fontes renováveis em sua matriz energética, dos atuais 16% para 80% até 2050. Atualmente, cerca de 22% da energia consumida no país é fornecida por fontes nucleares, percentual que na Baviera chega a superar 50%.

O acidente nuclear na usina de Fukushima, ocorrido há um ano após forte terremoto que atingiu a costa do Japão, fez o governo alemão rever sua política energética e anunciar o fechamento de 17 usinas nucleares existentes no país, o que deverá ocorrer nos próximos dez anos.

“A Alemanha está se despedindo da energia nuclear e, claro, as energias renováveis terão um papel importante nisso,” observou o secretário de Agricultura da Baviera. A medida também faz parte das exigências estabelecidas pela Diretiva Européia sobre Energias Renováveis (RED, na siga em inglês). Segundo a regulamentação, 20% de toda a energia consumida no continente europeu deverá originar de fontes renováveis até 2020.

O tema surgiu na pauta do encontro entre a presidente da República, Dilma Rousseff, e a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, nesta terça-feira (06/03), em Hannover. A mandatária brasileira liderou uma delegação de mais de 200 empresários, com a intenção de fechar acordos de cooperação em ciência e tecnologia e parcerias educacionais entre instituições de ensino dos dois países. O grupo participou da Feira Internacional de Tecnologia de Informação, Telecomunicações, Software e Serviços (CeBIT), considerada a maior do gênero no mundo. A Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá entre os dias 13 e 22 de junho no Brasil, também foi abordada pelas duas líderes.