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Biocombustível é utilizado pela primeira vez em voo de jato

29 de abril de 2010

undefined“Se alguém tinha dúvidas sobre a importância estratégica dos biocombustíveis, o uso experimental em aviões supersônicos da Força Aérea Americana é um dado revelador, especialmente porque aplicações militares exigem extrema confiabilidade.” Assim se manifestou o consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, sobre o primeiro voo do jato supersônico F-18 Green Homet, utilizando uma mistura de 50% de combustível produzido a partir da camelina (planta que produz óleo) ao querosene de aviação.

Realizado em comemoração ao Dia da Tera (22/04) na Estação Naval de Patuxent River, no estado americano de Maryland, o voo reuniu centenas de pessoas, entre eles o secretário da Marinha dos Estados Unidos, Ray Mabus, que tem incentivado as pesquisas com biocombustíveis, e Scott Johnson, diretor geral da Sustainable Oils, empresa que cultiva a camelina.

Perfomance

Com 45 minutos de duração, o voo foi o primeiro de 15 testes que, juntos, devem somar 23 horas com o uso da mistura. A análise final dos resultados deve ser divulgada em junho de 2010. O objetivo dos testes é confirmar que não há diferença de desempenho entre a mistura de biocombustível derivado da camelina e o combustível padrão JP-5, proveniente do petróleo. Desta forma, a Marinha dos EUA quer certificar combustíveis alternativos para uso em seus navios e aviões. A adesão ao biocombustível seria um grande avanço já que o Departamento de Defesa consome 91% do combustível utilizado pelo governo americano. De acordo com um estudo apresentado nesta terça-feira (28/04) pelo “Centro para uma Nova Segurança Americana” (Center for a New American Security), um incremento de 10 dólares no preço do petróleo equivale a um gasto adicional de US$ 619 milhões em combustível para os cofres americanos.

Em comunicado, a Marinha informou que “as propriedades químicas e físicas do combustível foram analisadas primeiramente em laboratório; depois, realizou-se um teste de desempenho do componente e do motor até chegar-se a esta série de voos-teste com o Green Homet”. De acordo com o Contra-Almirante da Marinha, Phillip H. Cullom, “o departamento quer utilizar matérias-primas que tenham a performance de um biocombustível de segunda geração e não concorra com a produção de alimentos.”

Voos comerciais

O uso de biocombustíveis já vem sendo testado por empresas de aviação comercial desde 2008, quando a Virgin Atlantic Airways, Air New Zealand e a Continental Airlines realizaram voos experimentais para comprovar sua viabilidade. A companhia aérea japonesa Japan Airlines também fez um voo teste em janeiro de 2009, que utilizou uma mistura de biocombustível feito de flores e algas.

“Chegou a hora da ficção científica se tornar realidade. Querosene de aviação produzido a partir de açúcar de cana, uma das alternativas que poderão vir a ser utilizadas na aviação civil e militar em futuro próximo, já é realidade em escala de laboratório e representa um importante passo para a mitigação das emissões de gases poluentes gerados pelo transporte aéreo,” conclui Szwarc.