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Biodiversidade em canaviais pode representar tendência

17 de janeiro de 2011

A presença crescente de aves e animais nativos em áreas de plantação de cana-de-açúcar pode representar uma tendência, fomentada pelo trabalho de sustentabilidade promovido por diversas usinas no Centro-Sul do País. A avaliação é do assessor de Responsabilidade Ambiental Corporativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Daniel Lobo, que considera o aparecimento cada vez mais frequente destes animais um reflexo do aumento dos investimentos em projetos de biodiversidade por parte das usinas.

“De 2007 até o último levantamento no final de 2010, as áreas monitoradas com projetos de biodiversidade das usinas associadas à UNICA cresceu quase 80%. Com isso, o aparecimento de espécies silvestres se torna cada  vez mais recorrente, mostrando que o trabalho de sustentabilidade nestas usinas é sério e dá resultados,” afirma Lobo.

Em novembro de 2010, uma águia-pescadora (Pandion haliaetus) foi encontrada por biólogos da usina Colombo na unidade de Ariranha, localizada a noroeste do Estado de São Paulo. Trata-se de uma área de preservação ambiental que possui grande diversidade de fauna. O curioso é que  este não é um fato isolado. Muitas espécies de aves migratórias conhecidas popularmente como colhereiros, tuiuiús e cabeça-secas, chegam do Pantanal e de outras regiões brasileiras e permanecem no local durante um período, particularmente durante a primavera e o verão. Esta, porém, foi a primeira aparição de uma espécie rara como esta.

Acredito que o aparecimento destes animais tem a ver com a preocupação das usinas com o meio ambiente e os cuidados de preservação. No caso da Colombo, a área ao redor da represa foi uma das primeiras a ser reflorestada, o que possibilitou que esta águia-pescadora, uma espécie migratória, pousasse aqui. Ela encontrou alimento e proteção no ambiente,” explica o coordenador de qualidade de meio-ambiente da usina Colombo, Walter Bertoncello.
Fatores diversos

O diretor técnico da UNICA, Antonio de Pádua Rodrigues, acredita que o aumento da fauna nas usinas “se deve a uma combinação de fatores: responsabilidade ambiental, o fim da queima da cana com o avanço da mecanização e a conservação das Áreas de Preservação Permanente (APPs)”.

Diversos animais pouco usuais vem sendo localizados nos canaviais de outras usinas, como uma ema na usina São Francisco, em Quirinópolis (GO), que pertence ao Grupo São João, associado à UNICA. “O ninho da ema foi encontrado em uma área já colhida e foi isolado com segurança para não prejudicar o desenvolvimento dos ovos.

Após o nascimento dos filhotes, os animais ficaram livres no canavial e deslocaram-se para os remanescentes florestais em torno do canavial,” afirmou o coordenador de gestão ambiental do grupo USJ, Sergio Sotta.

Para Daniel Lobo, outro fator determinante para este cenário é que as usinas também ampliaram suas áreas de monitoramento no período. Atualmente são mais de 30 mil hectares monitorados por projetos de biodiversidade e mais de mil nascentes protegidas.

“Quando existe um projeto de biodiversidade, significa que a usina já protegeu a flora e a área já está restaurada, sendo a fauna o terceiro passo. Não adianta só proteger o canavial, precisa cuidar das árvores também. Os projetos indicam que as árvores já estão protegidas, monitoradas e a biodiversidade nesses casos está aumentando,” explica.