18 de junho de 2014

Segundo o Balanço Energético Nacional de 2013, recém-divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a fonte biomassa atingiu uma produção de 39.679 GWh, incluindo tanto a energia elétrica destinada para o autoconsumo das unidades industriais quanto a encaminhada para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Em relação a 2012, a geração do ano passado foi superior em 14%, o equivalente à geração total que a Usina Belo Monte produzirá a partir de 2019, quando estiver plenamente motorizada.

A biomassa, em novembro de 2013, havia atingido outro marco histórico, quando superou a potência instalada prevista para Belo Monte, de 11.233 MW. Atualmente, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), as 480 termelétricas a biomassa em operação têm 11.571 MW instalados, representando 8,4% da matriz elétrica do Brasil.

Em termos de energia, a geração de quase 40 mil GWh pela biomassa durante o ano inteiro de 2013, foi o equivalente também a abastecer 33% do consumo residencial no SIN ou a 100% das residências no Estado de São Paulo. Importante destacar que, enquanto a produção total de bioeletricidade cresceu 14% quando comparado a 2012, a oferta de energia para o sistema elétrico interligado (excluindo o autoconsumo) cresceu 32%, algo relevante em um ano considerado crítico para a segurança do suprimento energético do país.

De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), do total produzido pela fonte biomassa em 2013 no Brasil (que inclui bagaço de cana-de-açúcar, lenha e lixívia), 17.1748 GWh foram destinados para o SIN (43% do total) e 22.531 GWh (57%) para o autoconsumo das unidades industriais associadas às termelétricas a biomassa.

Expansão continua ameaçada

Mesmo com a grande produção de bioeletricidade no Brasil, em 2013, que superou a geração de energia elétrica somada das fontes carvão, nuclear e eólica, a expansão da biomassa ainda permanece sob um cenário de incerteza em virtude da dificuldade de negociação de novos projetos nos leilões regulados promovidos pelo Governo Federal, considerados ainda a principal porta de entrada do setor elétrico nacional.

Para o gerente em bioeletricidade da UNICA, Zilmar Souza, a falta de uma política setorial clara, estruturante e capaz de estimular o investimento tem comprometido o desempenho da biomassa nos leilões regulados. “No último leilão A-3, realizado em 6 de junho, com o baixo preço-teto e a concorrência direta com eólicas em condições diferentes de competitividade, sem reconhecer os reais benefícios de cada fonte, nenhum projeto de bioeletricidade foi vendido, mesma situação ocorrida no leilão A-3 de 2013.

As chances de melhora para 2014 dependem do governo em reconhecer um preço adequado para a biomassa no leilão A-5, que acontecerá em setembro, já que a geração por meio do bagaço está proibida de participar do leilão de reserva que ocorrerá em outubro”, avalia Souza.

Segundo o executivo, a comercialização nos certames regulados é condição essencial para a viabilidade da maioria dos projetos de bioeletricidade e nenhuma cadeia produtiva intensiva em bens de capital consegue sobreviver com uma política de stop and go, como a que estamos vivenciando. “Este é o pior sinal para uma cadeia produtiva. Precisamos de indícios claros, não somente para a bioeletricidade, mas para todo o portfólio de produtos do setor sucroenergético”, afirma.

Ainda de acordo com a UNICA, empresas de bens de capital voltadas para a indústria canavieira, desde 2010, registram queda de 50% no faturamento, corte de milhares de postos de trabalho e 66 unidades produtoras de açúcar e etanol em recuperação judicial atualmente, considerando as unidades em operação e também as inativas.

Publicações Recentes

Preço do etanol atinge maior vantagem frente à gasolina desde 2018

Preço do etanol atinge maior vantagem frente à gasolina desde 2018

O etanol hidratado ampliou sua vantagem competitiva frente à gasolina comum, que chegou ao maior patamar dos últimos oito anos, desde 2018. Em São Paulo, o preço médio do etanol hidratado chegou a R$ 3,70/litro e a gasolina a R$ 6,39/litro na última semana. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Votação pelo nome do senador Rodrigo Pacheco para o TCU

Posicionamento UNICA sobre o E32

Os estudos que embasaram a adoção do E32 foram conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, sob coordenação do Ministério de Minas e Energia, seguindo metodologia técnica construída no âmbito do Programa Combustível do Futuro, com participação de representantes do governo, da indústria automotiva, da cadeia de combustíveis e da academia.

Veja Também

Biomassa e eólica respondem por quase 10% do consumo de energia

Biomassa e eólica respondem por quase 10% do consumo de energia

A geração de energia elétrica pelas fontes biomassa e eólica para a rede representou quase 10% do consumo nacional de eletricidade de janeiro a maio deste ano, mostrando a importância dessas fontes para o equilíbrio do sistema, de acordo com dados recentes da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)

ler mais
Biomassa e eólica respondem por quase 10% do consumo de energia

Volks passa a oferecer 100% de motores bicombustíveis

A Volkswagen do Brasil passa, a partir deste mês, a equipar 100% de seus motores produzidos no País com a tecnologia bicombustível Total Flex. Líder no acumulado de vendas de veículos bicombustíveis desde o início, com 35% de participação de mercado, a Volkswagen...

ler mais