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Brasil é destaque em evento internacional sobre indústria química

23 de março de 2018

Reconhecido pela excelência na produção de biopolímero, ou seja, o plástico verde, o País é o maior fornecedor mundial de polietileno biodegradável feito a partir do etanol de cana, fonte renovável usada por mais de 80 grandes marcas das indústrias de alimentos, cosméticos, higiene pessoal e automotiva.

Bola oficial da Copa da Russia e peças de Lego são as últimas novidades feitas com plástico de etanolO papel dos produtos de origem vegetal para a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) no setor químico é o tema de importante evento realizado nesta semana (20/03 a 22/03) em Amsterdã, na Holanda. Com a presença do setor sucroenergético brasileiro, representado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), a conferência World Bio Markets já atraiu mais de 400 pessoas em suas primeiras sessões.

A assessora sênior para Assuntos Internacionais da entidade, Geraldine Kutas, participou de um painel em que falou sobre as contribuições dos biocombustíveis, particularmente o etanol de cana, para a fabricação de bioplástico em substituição ao petroquímico convencional. O derivado do petróleo ainda é muito encontrado em garrafas PET, outras embalagens biodegradáveis, ferramentas de jardinagem e até em componentes de carros.

A representante esteve na capital holandesa por meio de uma parceria entre a UNICA e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para promover os produtos sucroenergético nacionais no exterior. “Coube-me explicar porque o Brasil tem a cultura canavieira mais sustentável do mundo e como o etanol, além de mitigar as emissões de CO2 no transporte veicular, também pode contribuir para diminuir a intensidade do carbono em produtos (novos combustíveis) e compostos químicos (plástico)”, afirma Geraldine Kutas.

Produção sustentável

“Inicialmente, demonstrei a capacidade que os canaviais brasileiros têm para atender à crescente demanda por matérias-primas renováveis (etanol, palha e bagaço de cana), independentemente do segmento industrial. Enfatizei que a expansão canavieira respeita biomas sensíveis e se dá apenas em terras degradadas, respeitando o meio ambiente e sem competir com outras culturas alimentares”, ressalta a assessora sênior da UNICA.

A executiva citou dados de produção de cana nas últimas safras e iniciativas como o Zoneamento Agroecológico, que desde 2009 define uma área máxima total equivalente 7,5% do território nacional como apta para o plantio da cultura, longe da floresta amazônica e do Pantanal. O mito dos biocombustíveis versus alimentos foi classificado como uma discussão ultrapassada em relação ao Brasil, principalmente diante do fato de que, nos últimos dez anos, o País dobrou a produção de alimentos ao mesmo tempo em que também aumentou a fabricação de etanol, hoje em cerca de 27 bilhões de litros ao ano.

“Abordei a diversificação da cana-de-açúcar, do potencial do etanol de primeira e segunda gerações (1G e 2G), do biogás feito de vinhaça, um resíduo industrial usado como adubo na lavoura e que agora também serve como fonte energética, e dos combustíveis ‘drop-in’, como o bioquerosene, capaz de substituir o derivado do petróleo sem exigir grandes mudanças na estrutura do motor de um avião, por exemplo”, observa Geraldine, que também forneceu dados sobre a contribuição do setor sucroenergético para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

“Após dez anos de instalação de uma planta industrial de açúcar ou de etanol na região Centro-Sul, o aumento no PIB médio per capita é de US$ 1.028 no próprio município e de US$ 324 para os 15 vizinhos mais próximos”, enfatiza, citando um estudo feito pela USP (saiba mais).

Conferência

Durante a sua participação no painel “Visibilidade da Cadeia de Suprimentos: Garantindo Recursos Sustentáveis de Matérias-Primas”, a representante da UNICA debateu o tema com executivos de grandes empresas da área de química renovável. Entre os convidados, estavam Jeff Brown, CEO da Novvi, uma joint venture com participação do grupo brasileiro Cosan, Don McCabe, vice-presidente da Federação de Agricultura de Ontário, Eelco Blum, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Avantium e Bill Levy, diretor Executivo da Pacific AG.

A conferência organizada em Amsterdã também teve a presença de outros representantes da cadeia sucroenergética brasileira. A Braskem, maior produtora de bioplástico de etanol do mundo, enviou o seu gerente de Relações Institucionais da Braskem na Europa, Henri Colens, que foi um dos palestrantes. Recentemente, a companhia passou a fornecer o componente de origem vegetal para a marca de brinquedos Lego, que o utilizará nas peças relacionadas a folhas, arbustos e árvores.