23 de setembro de 2016

Com o apoio do Brasil, a Tailândia pode ampliar o portfólio de produtos renováveis fabricados a partir da cana e, deste modo, diversificar as fontes de ganho dos produtores locais. Expandir a produção de etanol e incorporar novos derivados (bioeletricidade, bioplásticos e biodetergentes) à matriz energética tailandesa são iniciativas que ajudarão o setor sucroenergético daquele país a reduzir sua dependência econômica em relação ao açúcar.

Integrando a comitiva do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, a assessora sênior da Presidência para Assuntos Internacionais da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Géraldine Kutas, falou sobre o assunto durante o seminário “Brasil-Tailândia: negociação sob uma nova perspectiva no comércio agrícola e investimento”, realizado em 13/09, na cidade de Bangkok. A presença de Kutas na capital tailandesa foi possível graças à parceria entre a UNICA e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) no projeto Brazilian Sugarcane Ethanol, que busca valorizar a imagem do etanol brasileiro no exterior.

A executiva da UNICA afirma que esta diversificação inibiria procedimentos no mínimo questionáveis do governo tailandês para incentivar a produção e exportação de açúcar, os quais distorcem, de forma acentuada, os mercados globais, além de impactarem negativamente a indústria brasileira. “Brasil e Tailândia são líderes na produção canavieira e deveriam cooperar mais para o desenvolvimento desta indústria, especialmente no que se refere à inovação tecnológica”, afirma Kutas, acrescentando que o Brasil tem muito a contribuir neste sentido.

“Além de açúcar, novos produtos que já são amplamente fabricados pelos brasileiros abrem novas oportunidades de negócios em outros mercados além do alimentício. Elevar a produção de biocombustível e exportar outras mercadorias para segmentos como o elétrico e o químico representam alternativas para os produtores canavieiros tailandeses, que atualmente exportam açúcar subsidiado”, explica Géraldine Kutas.

A Tailândia é o segundo exportador mundial de açúcar, atrás apenas do Brasil. No ano passado, os brasileiros venderam 25 milhões de toneladas do produto no mercado internacional, enquanto os asiáticos comercializaram 8 milhões de toneladas. Apoiados numa forma discutível de estímulo governamental, os tailandeses aumentaram, nos últimos quatro anos, sua participação nas vendas externas de 12,1% para 15,8%. Já os brasileiros viram sua quota cair de 50% para 44,7%.

Nos últimos meses, o Brasil vem estudando iniciar um contencioso junto ao órgão e solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), questionando uma série de medidas tomadas pela Tailândia em desacordo com normas internacionais. A decisão do governo brasileiro de contestar o regime tailandês de açúcar tem o pleno apoio da UNICA.

Etanol

Durante sua participação no seminário promovido pela Apex-Brasil, Mapa e Câmara de Comércio da Tailândia, e que reuniu aproximadamente 90 pessoas, a assessora da UNICA frisou a necessidade da Tailândia investir mais na produção de etanol. Atualmente, o país promove, de forma não compulsória, a mistura de 5% de etanol na gasolina (E5).

Geraldine chamou a atenção para o fato de que o combustível canavieiro tem capacidade de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa e a poluição local em grandes cidades, como Bangkok e São Paulo.

“Trata-se de biocombustível com o maior potencial mitigador dentre todos os combustíveis líquidos existentes. Por emitir até 90% menos CO2 do que a gasolina, o etanol pode alavancar o desenvolvimento sustentável em nações da Ásia e África que não possuam programas ambientais eficientes em termos de controle da poluição gerada por veículos leves e pesados”, ressalta Geraldine Kutas.

Somente nos últimos 13 anos, ao abastecer o carro flex com 100% de etanol ou gasolina, que hoje contém até 27% do biocombustível misturado, o consumidor brasileiro evitou que mais de 350 milhões toneladas de CO2 fossem despejadas na atmosfera, segundo dados da UNICA.

Publicações Recentes

Veja Também

Bovespa cria índice de sustentabilidade

Bovespa cria índice de sustentabilidade

Em 01/12, a Bovespa lançou o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), concedido a 28 empresas com ação em bolsa, no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo. Na ocasião, a Unica foi representada pela consultora Iza Barbosa. Ontem, a consultora participou do lançamento do...

ler mais
Bovespa cria índice de sustentabilidade

Projeto AGORA lança hotsite do Movimento Mais Etanol

undefinedundefinedPara ampliar a visibilidade e aprofundar o impacto das ações já deflagradas, o “Movimento Mais Etanol

O Mais Etanol vem disseminando para formadores de opiniões e tomadores de decisões um conjunto de políticas públicas e iniciativas do setor privado que seriam fundamentais para a retomada do crescimento da indústria da cana

ler mais
Bovespa cria índice de sustentabilidade

VII Conferência Internacional da Datagro

De 22 a 23 de outubro, acontecerá em São Paulo a VII Conferência Internacional da Datagro sobre álcool e açúcar. O evento que tem o apoio da Unica contará com a presença do presidente da instituição, Marcos Sawaya Jank, no dia 23. Ele irá ministrar a palestra ?O...

ler mais