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Brasil poderá quase dobrar exportações de etanol para o Japão

1 de fevereiro de 2011

O Japão deverá consumir 500 milhões de litros de etanol até 2017, e o Brasil, que atualmente exporta 264 milhões de litros anuais de etanol para o país asiático, poderá ser o parceiro ideal para que os japoneses atinjam esta meta. A informação foi divulgada durante visita nesta segunda-feira (31/01) de uma delegação do Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão à sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), em São Paulo.

O grupo, liderado pelo diretor do escritório de políticas de biomassa do Ministério, Shusuke Fukami, foi formado pelo chefe de seção do mesmo escritório, Atsushi Muramoto, e pelo pesquisador do grupo de estratégia energética para o baixo carbono do Instituto de Pesquisa Mitsubishi, Shigefumi Okumura.

“Viemos ao Brasil com o objetivo de buscar informações que possibilitem atingirmos esta meta. O País é um dos que mais tem expandido sua produção em todo o mundo, e por isso gostaríamos de tê-lo como referência,” afirma Shusuke Fukami.

O Japão sempre foi um parceiro comercial do Brasil no que tange o setor sucroenergético. Desde o início da divulgação das estatísticas de exportações pelo governo, em 2001, o País figura como importador do açúcar e etanol brasileiro. Dados da Secex indicam que o Japão foi o 4º principal destino das exportações brasileiras de etanol em 2010. No mesmo ano, além do etanol, o país asiático também comprou 116.893 toneladas de açúcar. Desde 2003, a legislação japonesa permite uma mistura facultativa de até 3% de etanol na gasolina e há discussões no país sobre o aumento da mistura para até 10%.

Para Luiz Amaral, gerente de Meio Ambiente da UNICA, o setor produtivo brasileiro poderá atender facilmente o volume de 500 milhões de litros de etanol até 2017. “Se considerarmos a safra 2010/2011 até 18 de janeiro no Centro-Sul do País, que totalizou 25.274,4 bilhões de litros de etanol produzido, o volume exportado para o Japão representaria apenas 2% da produção,” ressalta.

Esta foi mais uma entre diversas visitas ao Brasil de delegações japonesas em busca de informações sobre o etanol de cana. Em agosto de 2010, técnicos do Japão estiveram na Usina São Martinho, em Pradópolis, interior de São Paulo, para estabelecer os critérios de sustentabilidade que serão observados para a importação e comercialização do etanol naquele país, que não possui uma produção doméstica do biocombustível.

Balanço energético

A opção do Japão pelo etanol de cana se deve principalmente ao seu balanço energético altamente positivo. São nove unidades de energia renovável para cada unidade de energia fóssil utilizada na produção. Segundo o World Watch Institute, esse índice é cerca de quatro vezes superior ao do etanol produzido no continente europeu e quase cinco vezes maior que o do etanol produzido a partir do milho.

Em fevereiro de 2010, a agência de proteção ambiental dos Estados Unidos (Environmental Protection Agency) classificou oficialmente o etanol brasileiro como um “biocombustível avançado,” capaz de reduzir os GEEs em até 61% se comparado à gasolina.

Na UNICA, a delegação foi recebida pela assessora de relações institucionais da entidade, Nayana Rizzo, que explicou porque o etanol brasileiro é considerado ambientalmente o biocombustível mais correto do mundo.  O País é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo e o segundo maior produtor de etanol, utilizando menos de 1% do território nacional (correspondente a mais de 8 milhões de hectares) para produzir açúcar e o combustível renovável. Projeções do Ministério da Agricultura indicam que, se a produção brasileira duplicar até 2017, estará utilizando no máximo 1,7% das terras cultiváveis do país para produzir etanol.

Os visitantes também receberam informações sobre o desenvolvimento da indústria de etanol no Brasil, desde a criação do programa Pró-Álcool, na década de 1970, passando pela implantação dos carros flex pela indústria automobilística brasileira, em 2003. Para o diretor do escritório de políticas de biomassa do Ministério da Agricultura do Japão, a visita à UNICA foi esclarecedora. “A entidade é uma grande associação do setor e dispõe de dados precisos,” conclui.