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Califórnia reconhece etanol brasileiro como redutor de emissões

27 de julho de 2009

O estado americano da Califórnia, EUA, reconheceu a contribuição do etanol brasileiro no combate ao aquecimento global após atualizar seus cálculos sobre a redução de emissões do combustível feito de cana de açúcar. O escritório da União da Indústria de Cana de Açúcar (UNICA) vem trabalhando para que os cálculos feitos pelo Conselho de Qualidade do Ar do da Califórnia (CARB, na sigla em inglês) fossem aprimorados.

“A UNICA aplaude a proposta de revisão elaborada pelo CARB, que reconhece nossa argumentação e dá créditos significativos pelo uso da mecanização na colheita da cana, bem como em função do uso da bioeletricidade no Brasil, que é gerada a partir da queima do bagaço de cana,” afirmou o representante-chefe da UNICA para a América do Norte, Joel Velasco.

Em março deste ano, o CARB aprovou a regulamentação do primeiro Padrão de Combustível de Baixa Emissão de Carbono (ou LCFS, em inglês) do mundo. O LCFS vai promover, a partir de 2011, uma redução na intensidade do carbono de todos os combustíveis usados naquele estado, com a intenção de atingir uma redução de pelo menos 10% até 2020.

Em seus cálculos, o CARB determinou que a intensidade de carbono da gasolina é de 95 gramas de dióxido de carbono por megajoule (gCO2/MJ), o que significa que a gasolina precisa reduzir sua intensidade de carbono para 86 gCO2/MJ até 2020, para atender à nova regulamentação nos próximos anos. Só na Califórnia rodam cerca de 30 milhões de veículos, aproximadamente o mesmo número de veículos em toda a frota brasileira, e o consumo de gasolina soma mais de 60 bilhões de litros por ano.

Nos cálculos originais do CARB, o etanol de cana teria uma intensidade de 27 gCO2/MJ, além de supostas emissões indiretas de 46 gCO2/MJ, elevando o total para 73 gCO2/MJ. Os novos dados anunciados pelo CARB (ver link abaixo) esta semana permitem créditos de mais de 15 gCO2/MJ devido ao uso da bioelectricidade no Brasil (7 gCO2/MJ), bem como a colheita mecânica (8.2 gCO2/MJ) da cana, sem uso de fogo, que vem avançando rapidamente no Brasil.  (Veja gráfico abaixo.)

Até o dia 19 de agosto, o público pode enviar comentários ao CARB sobre essas mudanças relativas aos créditos para o etanol de cana de açúcar. No dia 5 de agosto haverá uma audiência publica na Califórnia sobre o assunto.

Combustível renovável

Velasco destaca que mesmo que sejam mantidos os cálculos sobre efeitos indiretos de mudanças no uso da terra, supostamente em função da expansão do plantio de cana no Brasil, o etanol de cana de açúcar já é considerado o combustível líquido renovável de melhor desempenho existente atualmente. Mas ele acrescenta: “É preciso ir mais longe. Vamos continuar educando o órgão regulador americano, para que seja integralmente reconhecido o enorme esforço pela redução das emissões no Brasil, por meio da colheita mecanizada que já ultrapassa 50% da área cultivada em São Paulo, e da crescente expansão da cogeração de eletricidade nas usinas, evitando-se a instalação de termoelétricas, mais poluentes.”

Para Velasco, os ajustes na avaliação do CARB significam que o órgão está reconhecendo dados previamente confirmados por entidades de âmbito mundial, como a Agência Internacional de Energia. Isto significa que o CARB reconhece que o etanol de cana realmente  reduz as emissões de gases causadores do efeito estufa em cerca de 90% comparado com a gasolina.

Esforço concentrado

A UNICA continuara trabalhando com o CARB e outros grupos nos Estados Unidos nas outras pendências da regulamentação do LCFS, com o objetivo de assegurar que todas as reduções atingidas pelo etanol brasileiro sejam reconhecidas antes do inicio da fase de implementação, que começa no dia 1 de janeiro de 2011.

“O CARB assumiu publicamente o compromisso de aperfeiçoar seus cálculos sobre  emissões de carbono para todos os combustíveis, especialmente no que se refere à controvérsia envolvendo emissões relativas a efeitos indiretos no uso da terra. Portanto, este anúncio sobre créditos para mecanização e cogeração no Brasil é um sinal positivo sobre a forma profissional como o CARB está tratando dessas questões”, comenta Velasco.

O representante da UNICA para a América do Norte concluiu que agora é essencial que os dados verificáveis e pesquisas mais atualizadas sejam analisados no que se refere a questões de efeitos indiretos no uso da terra, conhecido pelo jargão ILUC, para que reflitam com precisão a dinâmica atual da agricultura brasileira. “Temos plena confiança que uma análise baseada em dados concretos e confiáveis vai comprovar que impactos indiretos sobre o uso da terra causados pelo cultivo da cana no Brasil são, na melhor das hipóteses, marginais, e não 46 gCO2/MJ como alega o CARB. Da mesma forma que mostramos que os 27 eram realmente 12, vamos mostrar que os 46 são altamente exagerados”, afirmou.