16 de julho de 2012

Com a produção de biopolímeros a partir do melaço da cana, a indústria sucroenergética poderá ajudar a salvar vidas fornecendo um material de origem renovável para ser utilizado em curativos, fios cirúrgicos e alguns tipos de próteses cardíacas. Alfred Szwarc, consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), ressalta que a constante evolução na diversificação dos produtos feitos da cana, que já têm forte presença nas áreas de alimentos, produtos químicos, combustíveis e energia elétrica, amplia ainda mais as perspectivas para o setor.

“A cana-de-açúcar é uma fonte maravilhosa de matéria-prima. Além do açúcar, etanol, proteínas  e bioeletricidade, os polímeros renováveis, amplamente usados na confecção de bioplásticos há mais de dois anos, ganham uma nova aplicação em produtos usados nas ciências médicas. Trata-se de um imenso potencial para o setor,” observa o especialista da UNICA.

A nova tecnologia, desenvolvida pelo engenheiro químico Francisco de Assis Dutra Melo, e pelos médicos Salvador Vilar e José Falcão Correia Lima, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), agora será produzida na Estação Experimental de Cana-de-Açúcar, inaugurada pela UFRPE no início de junho deste ano (04/06). O laboratório, localizado no município de Carpina (PE), na região da Zona da Mata, um dos pólos de produção de cana do Estado, agora passará a fabricar o biopolímero em uma escala maior para futura utilização em tratamentos no Hospital das Clinicas de Pernambuco.

O diretor da Estação Experimental da UFRPE, Djalma Euzébio Simões Neto, informa que o novo produto é resultado da fusão de uma bactéria com o melaço da cana, um desenvolvimento que consumiu pouco mais de 15 anos de pesquisa. O executivo destaca que o biopolímero “acelera o processo de cicatrização da pele nos casos de queimadura e pode ser absorvido naturalmente pelo corpo humano, sem qualquer risco à saúde das pessoas.”

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, cuja entidade apoiou o desenvolvimento do projeto, considera a Estação Experimental de Carpina um centro de excelência em inovação tecnológica, a exemplo do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), situado na cidade de Piracicaba (SP).  “Em Carpina, o setor procura pesquisas que agreguem valor à atividade,” ressalta.

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