8 de junho de 2017

A nova variedade é resistente à broca, principal praga que afeta as lavouras no Brasil, gerando perdas que chegam a R$ 5 bilhões por ano
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira (8/6) o uso comercial da primeira cana-de-açúcar geneticamente modificada (Cana Bt) desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). A Cana Bt passou por rigorosa avaliação da CTNBio, que a considerou segura sob os aspectos ambiental e de saúde humana e animal. Esta é a primeira cana-de-açúcar geneticamente modificada aprovada para comercialização no mundo.

A nova variedade, CTC 20 Bt, tem como característica a resistência à broca da cana (Diatraea saccharalis), principal praga que ameaça a cultura. De acordo com levantamento realizado por especialistas, as perdas causadas pela broca chegam R$ 5 bilhões anuais, devido a perdas de produtividade agrícola e industrial, qualidade do açúcar e custos com inseticidas. O gene Bt (Bacillus thuringiensis) é amplamente utilizado na agricultura, há mais de 20 anos, nos principais países produtores do mundo, incluindo o Brasil, em culturas como soja, milho, algodão, entre outras.

“A aprovação da Cana Bt por parte da CTNBio é uma grande conquista do CTC e do setor sucroenergético nacional. Nos próximos anos, planejamos expandir o portfólio de variedades resistentes à broca, adaptadas a cada uma das regiões produtoras do Brasil. Além disso, o CTC também planeja desenvolver variedades resistentes a outros insetos, bem como tolerantes a herbicidas”, afirma Gustavo Leite, presidente do CTC. O executivo explica ainda que com a Cana Bt, “além dos ganhos econômicos, o produtor poderá simplificar a logística e melhorar a gestão ambiental de suas operações”.

Um extenso dossiê cientifico contendo estudos e informações técnicas da cana geneticamente modificada (GM) foi submetido à CTNBio no final de 2015 para análise de risco à saúde e ao meio ambiente usando padrões aceitos internacionalmente. Estudos de processo provaram que o açúcar e etanol obtidos a partir da nova variedade são idênticos aos produtos derivados da cana convencional. Estudos adicionais mostraram que tanto o gene Bt como a proteína são completamente eliminados nos derivados de cana-de-açúcar durante o processo de fabricação. Além disso, estudos ambientais não constataram quaisquer efeitos negativos relacionados à composição do solo, à biodegradabilidade da cana GM ou às populações de insetos, exceto às pragas alvo (principalmente à broca).

Após a aprovação final e registro da Cana Bt, o CTC irá trabalhar junto aos produtores, iniciando o processo de distribuição de mudas da CTC 20 Bt e monitorando o plantio. Gustavo Leite explica que “o processo de propagação é similar ao de introdução de uma variedade convencional, com a cana dos primeiros anos sendo usada para expansão da área plantada e não para a produção de açúcar e etanol. Este processo está alinhado com o cronograma de obtenção das aprovações internacionais do açúcar produzido a partir da cana GM”, afirma Gustavo Leite.

*Com informações do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC)

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