14 de maio de 2018

Delegação chinesa durante encontro na UNICA Na última semana (11/05), executivos da State Development & Investment Corp (SDIC), uma das maiores empresas de investimentos da China, estiveram na sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), em São Paulo (SP), buscando dados sobre a indústria sucroenergética brasileira e formas de cooperação entre empresas e entidades dos dois países.

Recebidos pela presidente da UNICA, Elizabeth Farina, e pela Relações Públicas, Julia Tauszig, a delegação liderada pelo Chairman da companhia chinesa, Wang Huisheng, recebeu informações detalhadas sobre a experiência bem-sucedida do etanol no Brasil, particularmente sobre o cenário da produção, com foco especial em políticas públicas como o Programa RenovaBio. (saiba mais)

A viagem dos representantes da SDIC ao Brasil tem como pano de fundo o plano da China de aumentar o uso de biocombustíveis em sua matriz de transporte. O governo chinês anunciou um audacioso plano de mistura de 10% de etanol à gasolina (E10) em todo o país a partir de 2020.

Donos de uma frota automotiva gigantesca, que ultrapassa 200 milhões de veículos, grande parte deles movidos a combustíveis fósseis (gasolina e diesel), os chineses têm o desafio de descarbonizar o transporte urgentemente. No Acordo de Paris, assinado em 2015, a China comprometeu-se a reduzir a intensidade de carbono de sua economia a partir de 2030, aumentando o uso e produção de energias renováveis e a cobertura vegetal.

Produção 2G

No dia anterior à UNICA, representantes da SDIC visitaram a Usina Costa Pinto, pertencente ao Grupo Raízen na região de Priracicaba (SP). A proposta foi conhecer de perto a fabricação do etanol de segunda geração (2G), produto feito a partir de resíduos agrícolas, caso do bagaço e da palha da cana no Brasil.

Na China, a SDIC já adquiriu quatro plantas para produção de etanol de milho e tem planos de investir em mais seis plantas. Hoje, as quatro unidades já em funcionamento produzem aproximadamente 2.6 milhões  toneladas ao ano, com meta de 13 milhões ton./ano até 2020.

Até lá, a prioridade da China deverá ser a utilização dos estoques públicos de milho, boa parte considerada imprópria para o consumo humano e animal, que atinge hoje cerca de 140 milhões de toneladas. A partir daí, deverá haver uma maior diversificação de fontes como a mandioca e sorgo doce para produzir o combustível 2G.

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