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Chuvas prejudicam moagem pela segunda quinzena consecutiva

14 de outubro de 2010

A moagem de cana pelas unidades produtoras da Região Centro-Sul do País totalizou 27,16 milhões de toneladas na segunda quinzena de setembro, recuo de 27,03% em relação ao valor observado nos primeiros quinze dias do mês (37,23 milhões de toneladas) e queda superior a 35% no comparativo com o volume processado na segunda quinzena de agosto (42,07 milhões de toneladas). No acumulado desde o início da safra até o final de setembro, a quantidade de cana-de-açúcar moída no Centro-Sul alcançou 444,54 milhões de toneladas.

A intensa retração na moagem de cana observada na segunda quinzena de setembro ocorreu, novamente, em função das chuvas que atingiram as principais áreas produtoras. O indicador de precipitação pluviométrica de setembro ficou 59,27% superior à média histórica para o período. Essa condição climática impactou o aproveitamento de tempo das unidades produtoras e aumentou o número de dias de moagem perdidos: em média, as usinas registraram 6,78 dias perdidos em setembro contra apenas 2,92 dias perdidos em agosto deste ano.

Para o Diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, “apesar de ter prejudicado a moagem, o maior volume de chuva nas últimas semanas de setembro não foi suficiente para interromper a queda que vinha sendo observada na produtividade do canavial”. “Certamente não haverá tempo hábil para a recuperação da produtividade agrícola nesta safra e o volume de cana disponível para a moagem continuará abaixo do projetado no início do ano,” completou o executivo.

Dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) indicam, de fato, uma redução de 15,6% na produtividade agrícola da cana colhida na região Centro-Sul em setembro, comparativamente ao mesmo período de 2009. No acumulado desde o início desta safra, a quebra supera 3,9% em relação ao acumulado da safra anterior.

Até o início de outubro, oito unidades produtoras já haviam encerrado a safra 2010/2011 na região Centro-Sul, confirmando as projeções da UNICA quanto ao encurtamento da atual safra devido à antecipação da moagem, consequência do longo período de estiagem. Das 10 novas unidades produtoras previstas para iniciar suas atividades na atual safra, apenas uma optou por postergar o início para a safra 2011/2012.

Qualidade da matéria-prima

A concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana processada atingiu 170,16 kg de ATR na segunda quinzena de setembro, alta de 5,73% em relação aos primeiros 15 dias do mês. No acumulado desde o início da safra, a quantidade de ATR somou 142,10 kg por tonelada de cana-de-açúcar, crescimento de 7,36% no comparativo com igual período da safra anterior.

Cabe destacar que o indicador de ATR divulgado pela UNICA é calculado a partir do volume de cana-de-açúcar moída e da produção de açúcar e de etanol em determinado período, considerando algumas premissas em relação às perdas industriais, eficiências de fermentação e de destilação.

Esse indicador é conhecido como “ATR produto” e devido a forma de cálculo ele não refletiu momentaneamente a interrupção da moagem pelas usinas ocorrida ao final de setembro, de modo que o volume de açúcar e etanol que já se encontrava em processamento na segunda quinzena do mês não obteve sua respectiva contrapartida em cana-de-açúcar. Portanto, o aumento do ATR produto verificado na segunda quinzena de setembro não é real e deverá ser compensada pela queda significativa deste indicador na primeira quinzena de outubro.

Existe outro indicador de concentração de ATR na cana que é chamado “ATR cana” e provêm de análises laboratoriais de amostras de cana-de-açúcar coletadas no momento de sua entrega na unidade industrial. Estas análises seguem rígidas normas operacionais estabelecidas pelo Sistema – ATR, desenvolvido pelo Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana – SP).

De acordo com os dados apurados pelo Sistema ATR, vinculado ao Consecana (SP), o ATR cana na segunda quinzena de setembro apresentou um crescimento de apenas 1% em relação a primeira quinzena do mês. Esse indicador aponta ainda que na primeira quinzena de outubro houve uma redução de cerca de 9% no ATR, que passou de 160,88 kg por tonelada de matéria-prima no final de setembro para 146,57 kg no início de outubro.

Segundo o Diretor da UNICA, “os dois indicadores de ATR mensuram a mesma coisa e geralmente apresentam valores semelhantes no final da safra; entretanto, o ATR produto sofre distorções durante períodos com elevada precipitação pluviométrica e essas distorções precisam ser entendidas para a realização de qualquer análise”. Basicamente, a queda no ATR cana deverá ser observada de forma mais intensa no ATR produto na primeira quinzena de outubro, os indicadores apresentam apenas diferenças no tempo de resposta, mas os valores finais deverão ser equivalentes, concluiu o executivo.

Ele explica ainda que “estamos vivenciando mais um ano atípico em termos de condições climáticas. De abril até o início de setembro, o volume de chuvas ficou muito aquém da média histórica, reduzindo a disponibilidade de cana. Já em setembro, principalmente no final do mês, as chuvas retornaram com uma intensidade maior do que a prevista, prejudicando a moagem e, mais importante, reduzindo a qualidade da cana que será colhida em outubro”. Esses fatores devem impactar a produção de açúcar e etanol no final da safra, acrescentou o executivo da UNICA.

Produção de açúcar e etanol

Na segunda quinzena de setembro observou-se um recuo significativo da proporção de cana destinada à fabricação de açúcar. Do volume de matéria-prima processado na segunda quinzena do mês, apenas 44,70% destinou-se à produção de açúcar, percentual inferior aos 46,41% verificados na quinzena anterior.

De acordo com Rodrigues, “é natural uma redução na produção de açúcar no último terço da safra, contudo, ao longo de setembro esse aspecto foi intensificado pela maior ocorrência de chuvas e pela consequente deterioração da qualidade da cana”.

Como reflexo da retração do percentual da cana colhida dedicado à produção de açúcar na última quinzena de setembro, a produção de açúcar no período ficou em 1,97 milhões de toneladas, queda de 25,70% em relação à quinzena anterior. A produção de etanol, por sua vez, somou 1,49 bilhões de litros, dos quais 448,68 milhões de litros de etanol anidro e 1,04 bilhão de litros de etanol hidratado.

No acumulado desde o início da safra 20010/2011, a produção de açúcar somou 27,10 milhões de toneladas, enquanto a de etanol alcançou 20,30 bilhões de litros, crescimento de 22,59% comparado ao mesmo período de 2009.

Vendas de etanol pelas unidades produtoras

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul somaram 2,33 bilhões de litros em setembro. Já o volume de etanol anidro comercializado ao longo do mês somou 594,71 milhões de litros, dos quais 5,21%, ou 31,00 milhões de litros, destinaram-se às exportações e 563,70 milhões ao mercado doméstico. Em relação ao etanol hidratado, as vendas internas atingiram 1,58 bilhão de litros e as vendas para o mercado internacional somaram apenas 155,49 milhões de litros.

No acumulado da safra, de abril até setembro, o volume total comercializado pelas usinas do Centro-Sul soma 13,30 bilhões de litros, queda de 5,49% relativamente à safra 2009/2010. Esta retração decorre do forte declínio das exportações, na medida em que as vendas internas acumulam alta de 1,30% no comparativo com igual período de 2009.

Para acessar os dados da safra, clique aqui.

SOBRE OS DADOS DA SAFRA

Os dados divulgados nesta atualização de safra são compilados e analisados pela UNICA, com números fornecidos pelos seguintes sindicatos e associações de produtores da Região Centro-Sul:

ALCOPAR – Associação dos Produtores de Bioenergia no Estado do Paraná
BIOSUL – Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul
SIAMIG – Sindicato da Ind. de Fabricação do Etanol no Estado de Minas Gerais
SIFAEG – Sindicato da Indústria dos Fabricantes de Etanol do Estado de Goiás
SINDAAF – Sindicato Fluminense dos Produtores de Açúcar e Etanol
SINDALCOOL – Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso
SUDES – Sociedade das Usinas e Destilarias do Espírito Santo