fbpx

Chuvas reduzem tempo de moagem e teor de açúcar de cana de junho

15 de julho de 2009

A moagem na segunda quinzena de junho totalizou 33,23 milhões de toneladas de cana, 0,74% inferior ao total da mesma quinzena na safra passada. O clima desfavorável no decorrer de junho nas áreas canavieiras da Região Centro-Sul do País levou a um número elevado de dias parados nas unidades produtoras, reduzindo o aproveitamento de tempo na moagem e o teor de açúcar na cana colhida.

O aproveitamento do tempo disponível para a colheita foi inferior ao verificado no mês anterior (maio) e ao mês de junho da safra passada.

O Estado do Paraná foi o mais afetado, onde o aproveitamento de tempo foi de apenas 61,3%, resultando em 11,5 dias parados. Com 68,9% do tempo disponível no mês, o aproveitamento de tempo também foi baixo no Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, o índice ficou em 79,5%, similar à média verificada na quinzena na Região Centro-Sul, que responde por aproximadamente 88% de toda a produção brasileira de cana-de-açúcar.

A redução na moagem só não foi maior devido ao inicio de atividades, durante a quinzena, de 10 unidades produtoras, das quais três são novas unidades realizando sua primeira moagem de cana na atual safra.

Ao todo, quatro novas unidades iniciaram sua primeira moagem ao longo de junho e outras duas na primeira quinzena de julho. Entre as unidades já existentes, 20 ainda não iniciaram a moagem na safra atual.

Volumes

A quantidade de produtos obtidos por tonelada de cana (ATR) na segunda quinzena de junho foi de 133,02 kg de açucares totais, 1,61% inferior ao da mesma quinzena da safra anterior. O total acumulado desde o início da safra 2009/10 ficou em 123,98 kg por tonelada moída, 0,01% superior ao acumulado na safra anterior.

No acumulado desde o início da safra, o volume de moagem de cana é de 176,22 milhões de toneladas, superior ao acumulado da safra passada em 24,77%.

Do total de cana colhida na segunda quinzena de junho, 44,91% foram utilizados na produção de açúcar, que atingiu a marca de 1,89 milhão de toneladas no período, superior ao total da mesma quinzena na safra passada em 6,66%.

Açúcar e Etanol

Desde o início da atual safra, foram produzidas 8,67 milhões de toneladas de açúcar, 33,67% acima do acumulado da safra anterior no mesmo período. Até aqui, 41,63% da cana colhida na safra 2009/10 foi destinada à produção de açúcar.

A produção de etanol na segunda quinzena de junho foi de 1,424 bilhão de litros, 8,2% inferior à produção da mesma quinzena na safra anterior. Esse total se divide em 359 milhões de litros de etanol anidro e 1,065 bilhão de litros de etanol hidratado.

No acumulado desde o início da safra, a produção de anidro até 30 de junho é de 1,523 bilhão de litros, 23,84% inferior ao acumulado no mesmo período da safra anterior, e 5,95 bilhões de litros de etanol hidratado, 40,29% acima do acumulado na safra anterior.

Mesmo com o crescimento das vendas de veículos flex, a demanda por etanol anidro tem se mantido estável no mercado interno. Já as saídas de etanol hidratado nos três primeiros meses do ano-safra (abril, maio e junho) cresceram 25% quando comparadas com os três primeiros meses da safra passada, atingindo no mês de junho um volume de vendas no mercado interno pelos produtores de 1,92 bilhão de litros, superior em 1,5% às saídas de etanol registradas no mês de maio.

Exportações

O volume exportado de açúcar em todo o país nos três primeiros meses da safra (abril a junho) foi de 5,69 milhões de toneladas, contra 4,23 milhões no mesmo período do ano anterior. Do total de açúcar exportado, 74% foi do tipo VHP, contra 68% no mesmo período do ano anterior.

O volume de etanol exportado nesse período foi de 985 milhões litros, contra 1,1 bilhão no mesmo período do ano anterior. Houve uma redução significativa nas exportações do etanol anidro para os EUA, que totalizaram apenas 22,3 milhões de litros nesses três meses, contra 376,2 milhões no mesmo período do ano anterior.

As exportações para o CBI (Caribe) e para a Europa mantiveram-se próximas aos mesmos níveis do ano passado. A redução das exportações diretas para os EUA foi compensada por um grande incremento nas exportações para a Índia, Japão e Coréia do Sul.

Preços

Os preços continuam não remuneradores para o produtor, apesar da leve recuperação observada nos preços pagos pelo etanol aos produtores. O aumento na demanda por etanol no mercado doméstico é resultado de três situações:

• O incremento da frota de veículos flex, que já significa mais de 33% da frota total de veículos do ciclo Otto em circulação no País;
• Os preços competitivos do etanol ao consumidor, quando comparados ao preço da gasolina;
• Pelo lado da oferta, o desenvolvimento da safra aquém do esperado, principalmente no mês de junho, tanto pela quantidade de cana esmagada quanto pelo volume de produtos obtidos por tonelada de cana.

Vale frisar que mesmo com a recuperação nos preços pagos ao produtor, observada nas últimas semanas, os preços para o consumidor continuam vantajosos na comparação com o preço da gasolina.

Para acessar os dados da safra, clique aqui.