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Clima seco prejudica colheita de cana na Região Centro-Sul

13 de setembro de 2010

A produtividade da lavoura de cana-de-açúcar durante a atual safra continua sendo prejudicada de forma significativa, devido à persistência do clima seco na maior parte da principal região produtora de cana do país. Dados de agosto mostram que a ocorrência de chuvas permaneceu em baixa, 95,72% inferior ao índice registrado no mesmo mês em 2009 e 88,23% abaixo dos índices históricos para esse período.

Sob essas condições extremas, dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) em Piracicaba mostram que a produtividade média do canavial colhido no Centro-Sul no mês de agosto, quando comparado com agosto de 2009, apresentou uma quebra agrícola de 9,1%. Exceto em Mato Grosso do Sul, todos os demais estados da região apresentaram redução de produtividade agrícola em agosto, sendo que em São Paulo esta redução foi de 10,5%.

No acumulado desde o início da safra, a redução média da produtividade agrícola no Centro-Sul é de 1,6%. Essa queda deve se intensificar até o final da safra, pois não há expectativa de volume significativo de chuva em setembro. Além disso, praticamente toda a cana “bisada,” que possuía maior quantidade de biomassa por unidade de área, já foi colhida.

Segundo o Diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, a área de cana a ser colhida na safra 2010/2011 deve crescer pouco mais de 10,8% em relação à safra anterior. “Por outro lado, o volume de cana processada até o momento apresentou um crescimento mais acentuado, de 19,03%, mesmo com a queda de produtividade do canavial. Portanto, é fácil concluir que a safra está avançada em mais de 8,0%, e deve avançar ainda mais no mês de setembro devido à pouca moagem verificada em setembro de 2009,” explica.

Devido à antecipação da moagem na atual safra, já prevista pela UNICA no mês passado, parte da cana deverá ser colhida com menos de 12 meses, intensificando a perda de produtividade e a redução da disponibilidade de cana para moagem. “Enquanto em 2009 enfrentamos uma condição extrema devido ao excesso de chuva, este ano está ocorrendo o inverso. Se a condição climática atual persistir, poderemos ter uma redução na nossa expectativa de moagem apresentada na projeção revisada que divulgamos em agosto,” acrescenta Rodrigues.

Moagem de cana

A moagem de cana pelas unidades produtoras da Região Centro-Sul do País atingiu 41,89 milhões de toneladas na segunda quinzena de agosto. No acumulado desde o início da safra, a moagem totalizou 379,97 milhões de toneladas.

Segundo Rodrigues, as condições excepcionais para a colheita da cana indicavam um crescimento da moagem na segunda quinzena de agosto, mas o que observamos foi uma retração no volume diário processado pelas unidades produtoras. “Isso ocorreu, principalmente, em função da proibição de queima da cana por vários dias em São Paulo e do aumento do teor de fibra na matéria prima colhida,” acrescentou.

Devido aos baixos índices de umidade relativa do ar, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) proibiu a queima da palha da cana-de-açúcar, em qualquer horário. O ápice da suspensão ocorreu a partir do dia 23, quando a proibição estendeu-se a todos os municípios canavieiros paulistas, dificultando a manutenção do ritmo de moagem que vinha sendo observado.

A proibição da queima também intensificou o aumento da fibra na cana-de-açúcar. Dados apurados pelo Sistema ATR (Consecana – SP) em 10 de setembro indicam um teor de 13,95% de fibra na cana amostrada no Estado de São Paulo na última semana de agosto, crescimento de 8,81% em relação ao valor observado no mesmo período da safra 2009/2010.

A elevada quantidade de fibra na cana prejudica a moagem e a produção, pois reduz a eficiência de extração de caldo pelas moendas e diminui a capacidade de moagem nas unidades que estão operando próximo do limite diário de processamento.

O impacto só não foi ainda maior devido ao alto índice de colheita de cana crua, sem uso de fogo. Mais de 70% da cana própria das unidades produtoras de São Paulo já é colhida dessa forma, com o uso de máquinas. As unidades mais afetadas pelas perdas são as que dependem em grau mais elevado de cana de fornecedores.

Qualidade da matéria-prima

Na segunda quinzena de agosto, a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar atingiu 159,72 kg, contra 152,48 kg e 143,61 kg obtidos no mesmo período nas safras 2008/2009 e 2009/2010, respectivamente. No acumulado desde abril até a última quinzena de agosto, a concentração de ATR aumentou 5,41% em relação ao mesmo período de 2009, totalizando 138,22 kg de ATR por tonelada de cana.

Dados de amostragem da cana colhida no final de agosto e inicio de setembro identificam alterações na qualidade da matéria-prima, consequência de moagem de cana sem completar o ciclo vegetativo da planta. Além da queda na produtividade agrícola, este aspecto é o que leva ao aumento significativo do teor de fibra, gerando ainda uma queda na pureza da matéria- prima e aumento dos açúcares redutores, diminuindo o potencial de fabricação de açúcar e aumentando a fabricação de etanol.

Mix e produção de açúcar e de etanol

O mix de produção continua direcionando a maior parte da cana colhida para a produção de etanol, apesar do percentual voltado para o açúcar estar mais alto do que na safra anterior. Do volume total de cana-de-açúcar processado desde abril, 44,88% destinou-se à produção de açúcar, ante 43,31% observado no mesmo período de 2009. Na segunda quinzena de agosto, este percentual foi de 46,14%.

A produção de açúcar nos últimos 15 dias de agosto atingiu 2,94 milhões de toneladas. A produção de etanol, por sua vez, somou 2,10 bilhões de litros, sendo 595,45 milhões de litros de etanol anidro e o restante, 1,51 bilhão de litros de etanol hidratado.

No acumulado desde o início da safra 20010/2011, a produção de açúcar totalizou 22,46 milhões de toneladas e a de etanol 16,92 bilhões de litros, com especial destaque para a expansão de 35,08% no volume de etanol anidro produzido nesta safra comparado com a safra anterior.

Vendas de etanol

Em agosto, as vendas de etanol pelas unidades produtoras da Região Centro-Sul somaram 2,35 bilhões de litros, sendo 623,70 milhões de litros de etanol anidro e 1,73 bilhão de etanol hidratado. Do total comercializado, 208,41 milhões de litros destinaram-se ao mercado externo, e 2,15 bilhões de litros ao consumo doméstico.

As vendas de etanol anidro para o mercado doméstico totalizaram 585,50 milhões de litros em agosto, crescimento de 21,38% em relação ao mesmo período do ano anterior.  Já as vendas internas de etanol hidratado, por sua vez, alcançaram 1,56 bilhão de litros no último mês, alta de 1,35% em relação a julho – este crescimento foi impulsionado pelo aquecimento das vendas de hidratado nos últimos 15 dias de agosto, quando o volume diário comercializado atingiu 51,07 milhões de litros, ante 49,56 milhões negociados na primeira quinzena do mês.

No acumulado desde o início da safra, o volume de etanol hidratado direcionado ao mercado doméstico atingiu 7,24 bilhões de litros e o de anidro 2,72 bilhões de litros.

Segundo o Diretor da UNICA, “o crescimento da produção e a redução nas exportações de etanol observadas até o momento estão dentro das expectativas. Esses dois fatores vão ampliar a disponibilidade de etanol para o mercado doméstico, dando segurança ao abastecimento do produto.”

Em relação ao mercado de açúcar, vale destacar que as exportações nacionais do produto permanecem aquecidas e, em agosto, atingiram um volume recorde de 3,23 milhões de toneladas exportadas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX).

Antonio de Padua Rodrigues ressalta que esse volume permitiu a geração de divisas da ordem de US$ 1,36 bilhão somente no mês de agosto. Naquele mês, a região Centro-Sul atingiu o recorde histórico de mais de 3 milhões de toneladas de açúcar exportado, sendo 85% da carga embarcada pelo Porto de Santos. “Não existe, portanto, a tão comentada falta de estrutura portuária. O que ocorre no momento é uma situação atípica do mercado internacional, já que apenas o Brasil possui estoques de açúcar para o abastecimento do mercado mundial,” explica.

Rodrigues acrescenta que o Porto de Santos tem a melhor estrutura do mundo para a operação de exportação de açúcar. Além disso, as empresas do setor que operam terminais no Porto têm planos de investimentos em projetos que aumentarão a capacidade de recebimento, armazenagem e embarque de açúcar a partir da próxima safra. Os projetos estão em fase de análise pelos órgãos competentes.

Para acessar os dados da safra, clique aqui.

SOBRE OS DADOS DA SAFRA

Os dados divulgados nesta atualização de safra são compilados e analisados pela UNICA, com números fornecidos pelos seguintes sindicatos e associações de produtores da Região Centro-Sul:

ALCOPAR- Associação dos Produtores de Bioenergia no Estado do Paraná
BIOSUL – Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul
SIAMIG – Sindicato da Ind. de Fabricação do Etanol no Estado de Minas Gerais
SIFAEG – Sindicato da Indústria dos Fabricantes de Etanol do Estado de Goiás
SINDAAF – Sindicato Fluminense dos Produtores de Açúcar e Etanol
SINDALCOOL – Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso
SUDES – Sociedade das Usinas e Destilarias do Espírito Santo