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Combustível da Ferrari na F1 contém etanol de segunda geração

19 de março de 2010

undefinedOs dois carros da equipe da Ferrari de Fórmula 1, que chegaram em primeiro e segundo lugares na corrida inaugural da temporada 2010 em Bahrein, utilizaram gasolina que possui etanol celulósico em sua composição. A Shell, fornecedora de combustível para a equipe Ferrari, anunciou que a gasolina contém etanol produzido a partir de palha de cereais pela empresa canadense Iogen Corporation, uma das principais do mundo voltadas para a biotecnologia e especializada no desenvolvimento do etanol de celulose. A Iogen, na qual a Shell tem participação de 50%, foi incluída recentemente na joint venture anunciada entre a Shell e a brasileira Cosan.

Para o consultor de emissões e tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, a confirmação do uso do etanol de segunda geração na F-1 é bem-vinda, embora haja ainda muito a ser feito: “A F-1 está avançando no uso de biocombustíveis sustentáveis, mas suas conquistas ainda são pequenas se comparadas com as da Fórmula Indy, onde todos os carros utilizam etanol puro.”

F-1, Indy e Le Mans

De acordo com as regras da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para a temporada 2010 da F-1, a gasolina fornecida às equipes deve incluir a mistura de um componente de origem renovável. Mas o valor máximo de adição deste produto à gasolina é de 5,75%, quantidade pequena se comparada aos 100% utilizados na Fórmula Indy, ou aos 85% da American Le Mans Series (ALMS).

Na F-1, cada equipe elabora seu próprio combustível, o que torna a composição final uma espécie de segredo industrial, raramente revelada. A informação sobre o uso de etanol celulósico da Iogen pela Shell é a primeira confirmação de uso do biocombustível de segunda geração por uma equipe de F-1. O etanol transforma a gasolina usada pela escuderia italiana em combustível de alta octanagem, com 35% de oxigênio.

“A F-1 deve aproveitar a repercussão positiva que o uso de biocombustíveis vem apresentando para aumentar a quantidade permitida da mistura de etanol à gasolina nos próximos anos, ou mesmo substituir a gasolina por etanol, como fez a Formula Indy,” comenta Szwarc. “Ignorar que o etanol, além de ser um combustível de alta performance, possibilita reduzir significativamente a emissão de CO2, é um equivoco que precisa ser corrigido na F-1,” conclui.

Etanol celulósico

Para atingir as exigências da FIA, a Shell e a Ferrari vêm trabalhando no desenvolvimento do componente de oxigenação, o etanol de celulose da palha, desde meados do ano passado. Antes de chegar aos tanques das Ferraris pilotadas por Fernando Alonso e por Felipe Massa, o etanol celulósico passa por um complexo processo de conversão em uma planta em Ottawa, no Canadá. A produção do etanol celulósico pela Iogen faz parte do programa de estratégia e desenvolvimento de biocombustíveis sustentáveis da Shell.