A primeira semana da COP30 foi marcada por uma forte presença do Brasil nas discussões globais sobre transição energética, com os biocombustíveis ocupando um espaço central nos debates. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) participou ativamente de uma agenda intensa, que percorreu a Green e a Blue Zone, levando ao evento uma mensagem clara: não há transição energética rápida, justa e efetiva sem soluções sustentáveis já disponíveis e escaláveis — como o etanol e demais biocombustíveis.
O grande marco da semana foi o lançamento do posicionamento setorial sobre a Carta de Belém, documento construído em conjunto pelo setor de biocombustíveis e o setor automotivo, com condução da UNICA. Apresentada no dia em que se celebraram os 50 anos do Proálcool, a Carta propõe um esforço internacional coordenado para quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, alinhado às recomendações mais recentes da Agência Internacional de Energia (IEA). O texto apresenta um diagnóstico direto: o mundo está atrasado na descarbonização da mobilidade e não cumprirá as metas do Global Stocktake sem combinar eletrificação com biocombustíveis sustentáveis e rotas tecnológicas complementares. A experiência brasileira, com décadas de políticas públicas, inovação e salvaguardas socioambientais, foi destacada como modelo replicável e de referência global.
Ao longo da semana, a UNICA participou de painéis que reforçaram esse posicionamento em diferentes perspectivas da transição energética. No Pavilhão da Global Biofuels Alliance, debates reuniram especialistas internacionais para discutir investimentos climáticos, desafios de financiamento e a expansão da bioenergia no hemisfério sul. Também foram abordadas soluções de energia limpa para uso doméstico, integração entre alimentos e bioenergia e caminhos para ampliar o impacto social e econômico dos biocombustíveis em países em desenvolvimento.
Na Blue Zone, o Pavilhão Brazilian Sustainable Transportation — iniciativa da UNICA com 12 entidades dos setores automotivo e de bioenergia — recebeu uma série de discussões que mostraram como o etanol e outros biocombustíveis brasileiros podem contribuir de forma decisiva para a neutralidade de carbono até 2050. Os debates trouxeram análises sobre descarbonização do transporte marítimo em linha com as metas da Organização Marítima Internacional (IMO), rotas tecnológicas para ampliar a oferta de SAF, mandatos de mistura e desafios regulatórios nos mercados de carbono. Questões como produtividade agrícola, eficiência industrial, ILUC e salvaguardas ambientais também foram tratadas com profundidade, reforçando a necessidade de metodologias harmônicas e de reconhecimento internacional para biocombustíveis de baixo carbono.
Outro destaque foi o lançamento, pela IEA, do Energy Policy Review of Brazil, primeiro relatório da agência sobre as políticas energéticas brasileiras. Durante o evento, a UNICA destacou os avanços do país na produção sustentável de biocombustíveis e o papel do RenovaBio – que completou 8 anos na última semana – como referência mundial, além da importância do Compromisso de Belém para mobilizar investimentos globais na expansão dos combustíveis sustentáveis.
No conjunto, a primeira semana da COP30 demonstrou que o debate sobre transição energética passa, necessariamente, pela bioenergia. A presença ativa da UNICA em fóruns estratégicos reforçou a mensagem de que os biocombustíveis oferecem uma solução imediata e escalável, garantindo redução rápida de emissões, segurança energética e desenvolvimento econômico.
Com o posicionamento do sobre a Carta de Belém lançado e amplamente discutido, o setor encerra a primeira semana com sinal verde para aprofundar o diálogo internacional.
A próxima etapa da COP30 abre novas oportunidades para consolidar caminhos que permitam ao Brasil compartilhar sua experiência e contribuir para uma transição global mais inclusiva, sustentável e baseada em soluções já disponíveis.
Confira o posicionamento setorial sobre a Carta de Belém neste link.


