14 de julho de 2010

A linha de crédito aprovada pela Governo Federal para a formação de estoques por empresas produtoras e comercializadoras de etanol – a chamada warrantagem –  é muito bem-vinda pelo setor sucroenergético, que espera que os recursos estejam em breve disponíveis nos bancos repassadores. A avaliação é do diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues.

“Está tudo regulamentado, sem definições pendentes, o que significa que os produtores podem de fato buscar junto aos bancos credenciados pelo BNDES esta importante linha de crédito ao setor,” avalia o executivo. Ele lembra que agora será necessária uma boa comunicação entre o BNDES e o sistema bancário, “para que haja uma correta capilaridade dos recursos aos produtores.”

De acordo com a instrução divulgada pelo BNDES (Programa de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro – PASS), serão disponibilizados R$ 2,4 bilhões no total, sendo R$ 50 milhões por empresa em operações indiretas automáticas, podendo atingir R$ 200 milhões (considerando operações diretas, contratadas com o BNDES, e indiretas com os bancos repassadores).  O custo será de 9% ao ano, embutidas nesta cifra os 3% de remuneração da instituição financeira credenciada.

O valor do produto dado em garantia em operações do PASS deve corresponder, no mínimo, a 150% do valor do saldo devedor, enquanto os preços de referência do etanol carburante para constituição das garantias são de R$ 0,83 por litro de etanol anidro e R$ 0,75 por litro de hidratado. Os financiamentos do PASS podem ser feitos por usinas produtoras de etanol etílico carburante, destilarias de etanol etílico carburante, empresas de comercialização de etanol, cooperativas de produtores e cooperativas de produção.

O diretor da UNICA lembra que na última safra o crédito para warrantagem não chegou às mãos dos produtores por uma série de problemas. “Infelizmente tivemos a liberação do crédito, mas não tomadores na outra ponta. Isto foi um dos fatores que contribuíram para uma excessiva oscilação de preços do etanol na virada do ano,“ afirmou. Ele diz, contudo, que a situação agora é outra. “Estou otimista que o dinheiro chegará aos produtores, cujo beneficiário sempre será o consumidor final,” concluiu.

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