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Cresce a participação dos produtos da cana na economia africana

8 de agosto de 2014

Com aspectos climáticos e geográficos muito semelhantes aos do Brasil, o continente africano busca oportunidades de desenvolvimento econômico e social a partir dos produtos da cana-de-açúcar.

Na Etiópia, por exemplo, dez novas usinas de açúcar serão construídas como parte do Plano de Transformação e Crescimento (GTB, da sigla em inglês), sendo que sete delas devem começar a operar ainda neste ano. O País espera que a produção chegue a 1,6 milhões de toneladas de açúcar já em 2015, totalizando 2,25 milhões quando todas as indústrias estiverem em funcionamento.

A cidade de Kogi, na Nigéria, também terá em 2015 uma nova unidade produtora de açúcar e etanol. De acordo com o governador do Estado, Idris Wada, a região necessitava de investimentos para aproveitar os recursos abundantes e a mão de obra excedente. Quando a usina estiver em funcionamento, a previsão é de que se produza em torno de 100 mil toneladas de açúcar e um volume considerável de biocombustível de cana.

O País que também possui usinas em funcionamento para o processamento do etanol extraído do sorgo sacarino, uma planta nativa africana que tem características muito semelhantes às da cana-de-açúcar, pretende seguir aumentando o plantio da cana até 2020. Atualmente a produção de etanol na Nigéria gira em torno de 100 milhões de litros por ano, e a expectativa é que se atinja 160 milhões de litros de etanol e 1,8 milhão de toneladas de açúcar com o início da indústria de cana. O governo ainda estima uma geração de 120 empregos diretos adicionais, e  750 mil indiretos, em diversas cidades do país.

Na África do Sul, a indústria canavieira produz anualmente mais de 20 milhões de toneladas de cana. A região de Joanesburgo, com 14 usinas, fabrica em média 2,3 milhões de toneladas de açúcar por ano e, com a introdução da mistura de 10% de etanol à gasolina (E10) em 2012, os sul-africanos tem procurado investir também na produção de biocombustível. Uma vez que as unidades estiverem em pleno funcionamento, o País será capaz de produzir mais de 1 milhão de litros de combustível renovável por ano. O segmento sucroenergético gera em torno de 140 mil postos de trabalho diretos e 110 mil indiretos, correspondente a 11% dos empregos rurais no País.

Para o diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão de Sousa, a atividade, além de gerar mais empregos e renda no campo, reduzirá a dependência dos combustíveis fósseis em diversos países e poderá contribuir para a melhoria da balança comercial africana.

“O solo e o clima da África são muito semelhantes aos do Brasil, um dos mais eficientes produtores de cana-de-açúcar do mundo, o que confere ao continente uma vantagem comparativa para a produção de açúcar e etanol a partir da cana. Os investimentos em desenvolvimento tecnológico, tanto na agricultura quanto no parque industrial, bem como na qualificação da mão de obra, poderão gerar significativos benefícios econômicos, sociais e ambientais ao continente.” afirmou Sousa.