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Crise hídrica no setor é discutida em Comitê de Meio Ambiente

28 de setembro de 2015

A reunião do Comitê de Meio Ambiente (CMA) da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) em parceria com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), realizada na sede da CANAGRO (Piracicaba –SP), no dia 25/09, teve como tema principal um dos assuntos mais discutidos no agronegócio, a crise hídrica.

O evento, intitulado ‘O Setor Sucroenergético e a Crise Hídrica – Avanços com Boas Prática’, reuniu cerca de 70 participantes, contou com apresentações de especialistas e representantes da indústria canavieira e contribui para a troca de informações entre as usinas visando a melhoria da gestão da água, principalmente para enfrentamento da crise.

A abertura do encontro ficou por conta dos consultores da UNICA, Alfred Szwarc (Emissões e Tecnologia) e André Elia Neto (Ambiental e de Recursos Hídricos), que exibiram um panorama do uso dos recursos hídricos no setor, com destaque para o grande reuso da água que é praticado pela indústria da cana, fator que, de certa forma, diminui e muito os reflexos da falta de água para uso industrial nos recentes períodos de seca. Os consultores também evidenciaram a importante participação da UNICA nos Comitês de Bacia nas questões de gestão do recurso.

Presente ao evento, a gerente Ambiental da FIESP, Anícia Pio, pontuou em sua apresentação os aspectos da atual crise hídrica no Estado de São Paulo e os instrumentos legais que podem limitar as captações de água no setor produtivo. Segundo Anícia, “Não está afastada a hipótese de restrições do uso de água para a indústria caso tenhamos a repetição das condições climáticas do último ano, havendo a necessidade do próprio setor traçar suas estratégias de contingência.”

Na segunda parte do workshop, representantes de empresas associadas a UNICA apontaram os resultados dos planos de melhoria no uso e reuso da água na indústria.

O diretor de Produção Industrial Corporativo da Raízen, Eduardo Calichman , apresentou o tema “Gestão Hídrica com Foco em Reuso”, discorrendo sobre o Programa REDUSA (Redução do Uso de Água – Sustentabilidade), baseado em boas práticas, que tem minimizando a captação e os efluentes do Grupo. Segundo Calichman, “nos dois últimos anos, a Raízen diminuiu a captação de água em cerca de 20% e os efluentes em cerca de 40%, que além do melhor aproveitamento do recurso natural, também refletiu em benefícios no aproveitamento energético e menores perdas de açúcar nos efluentes”.

O representante da Usina São Martinho, José Ferracin, abordou o “Plano de Gestão Hídrica” da usina, pontuando os investimentos que a companhia vem fazendo com o objetivo de reduzir a captação da água. Ferracin disse que “da safra de 97/98 até 2014/15 a Usina são Martinho diminuiu a sua captação do recurso hídrico em mais de quatro vezes. Atualmente por conta da recente crise hídrica, a usina traçou um plano de contingência objetivando uma maior diminuição da água residuária e de lançamento de efluentes. Os resultados parciais em relação à safra anterior foram de 37% de redução na captação, mas a meta para a próxima safra é a redução total de 67% na captação para o processo industrial.”

Fechando o ciclo de palestras, o engenheiro da São Manoel, Cleber Aguiar, apresentou as boas práticas no uso e reuso da usina, que apresenta um índice de captação de água de 0,51 m3 /ton cana. Segundo Aguiar, “O ponto forte na gestão das águas na Usina São Manoel é o Sistema de Tratamento de Águas Residuárias (STAR), utilizando o processo anaeróbio seguido por lagoas de estabilização, que possibilita o reuso total dos efluentes. Assim a Usina tem geração zero de efluentes.”

Clique nos links abaixo para baixar as apresentações introdutórias do Encontro.

O SETOR SUCROENERGÉTICO E A CRISE HÍDRICA – AVANÇOS COM BOAS PRÁTICAS

AS MUDANÇAS DO CLIMA E A CRISE HÍDRICA