31 de maio de 2021

A água está se tornando um bem escasso. A crise hídrica na região sudeste do País é a mais grave dos últimos 90 anos. Os reservatórios das nossas hidroelétricas, responsáveis por mais de 65% da geração de eletricidade, estão se esvaziando gradualmente. Diante deste quadro, para garantir a segurança energética, o governo está acionando as usinas termoelétricas movidas a diesel e óleo combustível, fontes poluentes e de custo elevado. Dessa forma, estamos na bandeira vermelha e deveremos prosseguir assim até novembro. Ou seja, a escassez de água para produzir energia elétrica vai continuar penalizando o bolso do consumidor por mais seis meses, no mínimo.

Hoje, dispomos de biocombustíveis – etanol e biodiesel, que apresentam eficiências incomparáveis na redução das emissões de CO2. O carro brasileiro a etanol emite menos do que um elétrico europeu, e muito menos do que um elétrico chinês. O gigante asiático depende pesadamente do carvão para a produção de eletricidade.

Sabemos que a eletrificação de veículos é uma tendência mundial, mas qual é a melhor forma de fazer isso? O uso de baterias tem os seus problemas. Matérias-primas essenciais para a sua fabricação, como lítio, cobalto e níquel, têm causado polêmicas por conta dos danos ambientais gerados em seus processos de extração e produção. O descarte das baterias também é outra questão a se pensar e que não está completamente solucionado.

No Brasil, a eletrificação veicular deve contemplar o etanol em modelos híbridos flex. Do ponto de vista logístico, temos infraestrutura de distribuição já consolidada com mais de 42 mil postos de abastecimento. Além disso, o etanol também pode ser usado em veículos movidos a células de combustível, as chamadas Fuel Cell, que extraem hidrogênio do etanol no próprio veículo para acionar um motor elétrico. Como diz o professor Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, o etanol é um cacho de hidrogênio.

O incentivo à indústria de etanol aumentará o plantio de cana-de-açúcar. Em consequência, haverá maior disponibilidade de bagaço e de palha, aumentando a capacidade da indústria canavieira na produção de bioeletricidade. Esta fonte estratégica complementa a geração hídrica justamente nos meses mais secos do ano, de abril a novembro, período que coincide com a safra de cana e que agora atravessamos.

Estudos estimam que o potencial de produção da bioeletricidade pela agroindústria canavieira será de 36,8 TWh até 2030. O montante equivale a quase 50% da energia gerada em 2019 pela Usina Itaipu ou a 90% da Usina Belo Monte em plena operação.

Devemos, portanto, utilizar os recursos naturais existentes no Brasil para aumentar o nosso protagonismo na produção de energia limpa e sustentável. Os biocombustíveis brasileiros terão um papel cada vez mais relevante neste cenário.

* Jacyr Costa Filho, Conselheiro da UNICA. Presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp/Cosag e Sócio na Agroadvice

Artigo publicado dia 25/05 no jornal Diário da Região

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