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De olho na sustentabilidade, Gol vai usar biocombustível de cana

18 de setembro de 2014

Até o final deste ano os voos entre Recife e Fernando de Noronha (PE) da Gol Linhas Aéreas serão abastecidos com biocombustível, esta será a primeira vez que o combustível ‘verde’ será usado em uma rota comercial fixa.

O ‘novo’ combustível é uma mistura de querosene de petróleo já comum nos aviões, com a adição de até 10% de renováveis, neste caso o bioquerosene produzido a partir da cana-de-açúcar. Segundo a própria Gol, isso deve diminuir em 30% as emissões de dióxido de carbono (CO²).

Para o consultor em Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, os voos abastecidos com o combustível verde iniciam uma nova era de sustentabilidade para a aviação comercial.

“Assim como o bem sucedido exemplo do etanol brasileiro produzido a partir da cana, que quando comparado à gasolina, reduz em até 90% as emissões de gases causadores do efeito estufa, os biocombustíveis utilizados nas aeronaves são a solução mais viável para que a aviação civil se torne cada vez mais limpa e sustentável,” afirmou Szwarc.

Nesta iniciativa, a Gol conta com o apoio do governo de Pernambuco em seu programa ‘Noronha Carbono Neutro’, que tem por objetivo reduzir as emissões no arquipélago. O transporte aéreo corresponde a 53% do carbono emitido em Fernando de Noronha e o avião é a única maneira de chegada ao paradisíaco destino.  A meta é zerar tudo em cinco anos.

Fabricantes de aviões, companhias aéreas e produtoras de combustível apostam que, até 2016, outras rotas comerciais passem a adotar os biocombustíveis, tornando o Brasil referência no uso de alternativas menos poluentes em grande escala.

Regulação do Combustível

Recentemente duas grandes empresas do segmento de químicos e renováveis, a Amyris e a Total, conseguiram um certificado internacional para o bioquerosene feito a partir da cana-de-açúcar. A previsão é que até outubro a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) libere sua comercialização no Brasil.

As empresas negociam, também, abatimentos no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na comercialização do biocombustível para incentivar o setor aéreo, já que o litro do bioquerosene custa aproximadamente 30% a mais que o combustível comum usado pela aviação.

Na avaliação de Szwarc “a redução no ICMS não deve ser vista apenas como mero incentivo, mas a internalização no preço final do produto e de suas externalidades ambientais positivas”. O consultor acredita que este é o caminho mais adequado para aque a sociedade se dê conta do real valor dos biocombustíveis.