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Diplomacia brasileira recicla conhecimentos sobre setor

29 de novembro de 2011

Diplomatas brasileiros em visita à sede do CTC, em PiracicabaA diplomacia brasileira está investindo fortemente na preparação dos seus diplomatas para que compreendam em detalhes o setor sucroenergético nacional. O esforço vai de encontro à constatação de que o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar continua sendo alvo de barreiras protecionistas por parte dos dois maiores mercados consumidores de combustíveis do mundo, os Estados Unidos e a Europa. Com essa realidade em mente, 17 diplomatas que ocupam postos estratégicos em consulados e embaixadas no exterior voltaram ao Brasil para compreender melhor o tema.

“O conhecimento apreendido no trabalho de Promoção Internacional do Agronegócio da Secretaria de Relações Internacionais, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), será de imensa utilidade no dia a dia desses diplomatas,” revela Marcelo Junqueira Ferraz, responsável pela coordenação do IV Programa de Imersão do Agronegócio destinado a funcionários do governo brasileiro. A iniciativa, cuja primeira edição foi em 2009, é uma ação conjunta do Mapa e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Para Eduardo Leão de Sousa, diretor executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), o renovado interesse do Itamaraty pelo setor é crucial na agenda internacional que se desenha. “Em um momento em que ainda somos vítimas de barreiras comerciais absurdas, que incidem sobre as exportações de etanol, parece-nos chave que os nossos diplomatas estejam muito bem aparelhados para defender posições soberanas do País,” afirma o executivo, que no dia 23/11 fez uma palestra ao grupo, na sede da Superintendência Federal de Agricultura, em São Paulo (SP). Sousa forneceu um panorama sobre a produção de açúcar e etanol no Brasil, além de destacar  novos produtos fabricados a partir da cana, como a bioeletricidade

CTC

A primeira parada dos 17 diplomatas que participaram do Programa foi em Piracicaba (SP), no dia 22/11, na sede do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Lá, o grupo recebeu informações sobre os mais recentes avanços do setor e os métodos sustentáveis de cultivo da cana-de-açúcar.

Jorge Donzelli, coordenador de Pesquisa & Tecnologia em Agronomia do CTC, fez uma detalhada apresentação sobre o desenvolvimento do etanol celulósico, ou de segunda geração. Novas variedades de cana e práticas e inovações tecnológicas que têm elevado a produtividade dos canaviais nos últimos anos também foram abordadas.

Convidados reunidos  no laboratório da empresa (Cortesia UNICA/ Foto Luana Maia)Ainda na região de Piracicaba, os diplomatas visitaram a usina Costa Pinto, do Grupo Raízen e associada à UNICA, onde acompanharam o processo de produção de etanol, açúcar e bioeletricidade. A visita também serviu para que o grupo conhecesse métodos sustentáveis de controle de pragas nos canaviais como a broca da cana, doença que mais tem incomodado os produtores brasileiros.

Iniciado em 21 de novembro em Brasília, o IV Programa de Imersão do Agronegócio prossegue até 30/11. Além de São Paulo, o grupo também estará no Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

Além da UNICA, a delegação de diplomatas dialogou com outras entidades do agronegócio, como o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf); a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR); a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove); o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafe); a União Brasileira de Avicultura (Ubabef); a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs); a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).