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Emergentes são essenciais no combate ao aquecimento global

3 de julho de 2009

O potencial das economias emergentes para desenvolver e aplicar tecnologias limpas, como as energias renováveis de cana-de-açúcar, deve ser promovido e recompensado pela comunidade internacional como forma eficaz de combater o aquecimento global. Esta foi a avaliação da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) apresentada aos participantes da maior conferência anual sobre as políticas de meio-ambiente da União Européia (UE), a Green Week, organizada de 23 a 26 de junho de 2009 em Bruxelas pelo Direção Geral da Comissão Européia para o Meio Ambiente sob o tema “Climate Change: Act and Adapt” (“Mudança Climática: agir e adaptar”).

“Há uma necessidade de promover tecnologias limpas já existentes, em vez ficar esperando que futuras tecnologias solucionem os desafios atuais. É crucial remover barreiras tarifárias e não tarifárias, além de evitar obstáculos adicionais ao comércio apenas porque as soluções existentes não vêm dos países desenvolvidos”, afirmou a assessora sênior do Presidente da UNICA para Assuntos Internacionais, Geraldine Kutas.
Geraldine fez suas observações na sessão What can be asked to emerging economies? (O que pode ser perguntado para as economias emergentes?) no European Policy Summit on Climate Change: keys to a concerted policy shift” (Conferência de Política Européia sobre Mudanças Climáticas: Chave para uma mudança política unificada), que aconteceu simultaneamente ao Green Week, patrocinada pela UNICA e organizada pelo grupo Friends of Europe, um dos principais fóruns de idéias de Bruxelas. Os argumentos da assessora da UNICA foram apoiados durante a sessão pelo presidente da União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) e do Conselho para Desenvolvimento de Alternativas da Índia, Ashok Khosla.

Kutas explicou que políticas ambiciosas para mudanças climáticas podem ser combinadas com um desenvolvimento econômico sustentável e apontou que os países emergentes estão desenvolvendo soluções interessantes, adaptadas às suas necessidades específicas, para reduzir emissões. No entanto, sob o Protocolo de Kyoto, os que saíram na frente, como a indústria brasileira de cana-de-açúcar, estão sendo penalizados, já que os projetos não se qualificam para os “Mecanismos de Desenvolvimento Limpo” (Clean Development Mechanisms – CDM), por não cumprirem com as exigências de adicionalidade: “Não estamos simplesmente esperando a transferência de tecnologia de países desenvolvidos, mas o fato é que os limites existentes nos CDMs não recompensam as reduções de emissões geradas por iniciativas de sucesso, como o etanol de cana-de-açúcar, por serem integrados na legislação nacional.”

Em sua apresentação, Kutas mostrou o exemplo do Brasil, que possui 46% de energias renováveis em sua matriz energética, sendo a cana-de-açúcar a matéria-prima renovável mais utilizada e a segunda fonte de energia mais usada, depois do petróleo e à frente das hidrelétricas. O País é líder na redução de gases de efeito estufa nos setores de transporte e energia, mas está em quarto lugar entre os países que mais emitem carbono, por causa do que Geraldine descreve como “o pecado original brasileiro”: o desmatamento. “Resolver o problema do desmatamento exigirá cooperação internacional. Não existe solução mágica para resolver um problema que tem múltiplas causas e requer políticas públicas estáveis e ambiciosas, investimentos internacionais e ações do setor privado”, afirma Géraldine, enfatizando que a UNICA se posiciona claramente contra qualquer expansão sobre áreas florestais ou sobre o Pantanal no Brasil.

Pensando nas discussões sobre o clima que acontecerão em Copenhagen, no fim do ano, na 15ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 15), ela concluiu: “Sem um acordo ambicioso, os países desenvolvidos podem adotar novas ferramentas protecionistas, como taxa sobre carbono ou certificações de pegada de carbono para produtos importados, como já acontece com os biocombustíveis”, afirmou.   O envolvimento da UNICA na Green Week foi complementado com um stand da entidade, por onde passaram cerca de quatro mil visitantes, incluindo o diretor-geral de Meio Ambiente da Comissão Européia, Karl Falkenberg.

A participação da UNICA no evento ocorreu dentro do escopo do projeto Apex-Brasil/UNICA, iniciado em janeiro de 2008. Trata-se de uma parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O objetivo do projeto Apex-Brasil/UNICA é promover a imagem do etanol brasileiro de cana-de-açúcar como energia limpa e renovável ao redor do mundo.