30 de junho de 2011

Brasil e Holanda podem trabalhar juntos para ampliar a cooperação científica para desenvolver novos produtos extraídos da cana-de-açúcar e promover a harmonização de requisitos de sustentabilidade. As duas prioridades foram destacadas por Géraldine Kutas, assessora sênior da presidência da União da Indústria de Cana de Açúcar (UNICA) para Assuntos Internacionais, em apresentação durante o 4º Encontro de Delegações Brasileiras e Holandesas. O evento, com foco nas oportunidades de cooperação entre os dois países na indústria de biocombustíveis e na área de bioenergia em geral, aconteceu em Roterdã em 23 de Maio, no âmbito do Memorando de Entendimento (MoU) assinado entre os dois países em abril de 2008.

“O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, sendo que os recursos renováveis representam cerca de 50% desta mistura. A cana de açúcar sozinha representa 18% da energia renovável total do país e é também a fonte para uma vasta quantidade de produtos, como bioplásticos, diesel e etanol celulósico,” explicou Kutas, acrescentando que o etanol de cana brasileiro atinge umas das maiores reduções de gases causadores do efeito estufa (GEEs) de todos os biocombustíveis: “Nós precisamos aplicar mais tecnologia na produção para expandir as contribuições ambientais da cana-de-açúcar,” ela acrescentou.

Joris van der Voert, diretor de Biocombustíveis do Ministério de Infraestrutura e Meio-Ambiente da Holanda, enfatizou que o Brasil é agora a sétima maior economia do mundo e destacou as três razões principais para uma cooperação na área de biocombustíveis: segurança energética, abastecimento de energia e mudanças climáticas. Mariângela Rebuá, diretora do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, apoiou os comentários da UNICA e destacou a importância de um trabalho conjunto entre os dois países.

“O etanol de cana é uma das opções que pode ajudar a Europa a diversificar o fornecimento de combustíveis e melhorar a segurança energética, ao mesmo tempo atingindo metas ambientais. Brasil e Holanda devem trabalhar juntos para a harmonização dos requisitos de sustentabilidade e o mútuo reconhecimento de acordos construídos com base em legislações domésticas já existentes. Não podemos continuar desenvolvendo padrões e normas diferentes de sustentabilidade ao redor do mundo. Precisamos de um sistema robusto, mas prático e orientado para os negócios,” disse Kutas ao descrever os obstáculos para a cana-de-açúcar no mercado europeu. A eficiência e o desempenho ambiental do etanol de cana podem ajudar a Europa a cortar emissões de GEE e ampliar a segurança energética, ela concluiu.

Outros participantes da reunião incluíram a chefe-adjunta da Embaixada do Brasil na Holanda, Elizabeth Sophie Mazzarella; Henk Rieff, representante do Ministério holandês de Infraestrutura e Meio-Ambiente; e Carlos Manuel Pedroso, representante do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Internacional do Brasil.

A participação da UNICA no evento ocorreu no contexto do projeto Apex-Brasil/UNICA, iniciado em janeiro de 2008 e renovado em setembro de 2010. Trata-se de uma parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O objetivo do projeto Apex-Brasil/UNICA é promover a imagem do etanol brasileiro de cana-de-açúcar como energia limpa e renovável ao redor do mundo.

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