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Estudo da FGV rompe mito da influência dos biocombustíveis na alta dos preços de alimentos

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2 de dezembro de 2008


Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) publicado em novembro de 2008 conclui que a expansão dos biocombustíveis não foi um fator relevante para a alta dos preços dos alimentos verificada neste ano. De acordo com o trabalho “Fatores Determinantes dos Preços dos Alimentos – O Impacto dos Biocombustíveis”, o grande vilão para o crescimento dos preços em todo o mundo foi a confluência do aumento da demanda em um cenário de estoques mais baixos com a especulação nos mercados futuros de commodities.

Como resposta às recentes críticas e análises internacionais, a FGV Projetos preparou uma abordagem que inclui a elaboração de modelos econométricos para testar a contribuição de cada fator na explicação da alta dos preços, entre eles o avanço na produção de biocombustíveis, hipótese que foi rejeitada.

Para o diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão de Sousa, um dos efeitos do estudo da FGV é reforçar aspectos da produção de etanol de cana-de-açúcar que já vinham sendo apresentadas pelo próprio setor sucroenergético brasileiro. “Aqui no Brasil não há nenhuma ligação entre o aumento dos preços dos alimentos e a produção de etanol. Afinal, apenas 1% da terra arável do País é destinada à produção do biocombustível. Além disso, o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos e duplicou sua produção de grãos nos últimos 10 anos”, declarou Sousa.

O crescimento da demanda ao longo desta década, acompanhada da redução dos estoques mundiais de grãos iniciada anteriormente, segundo o trabalho da FGV, compõe o pano de fundo que levou ao aumento dos preços dos alimentos em 2007 e 2008. Com isso, a elevação dos custos dos combustíveis e lubrificantes e a perda de valor do dólar americano, após 2001, ajudaram a preparar terreno para o aumento dos alimentos. De acordo com o estudo, a demanda mais forte abrange um período mais longo do que 2006-2008 e, por isso, não pode ser apontada como causa imediata.

“O que corrobora esta análise é o que vimos observando recentemente, ou seja, uma queda de preços dos principais alimentos, em função do recrudescimento dos principais fatores que contribuíram para a sua alta, conforme apontado no estudo”, avalia Sousa, da UNICA. “Com a crise recente, houve um desaquecimento econômico com conseqüente redução na demanda global, uma valorização internacional do dólar e redução de preços de importantes insumos, como o petróleo. Além disso, a saída dos fundos de investimentos dos mercados de commodities reduziu substancialmente a especulação nesses mercados”, concluiu.

Clique aqui para ler a íntegra do estudo.