19 de setembro de 2012

A maior utilização de etanol na China, particularmente o produzido pelo Brasil a partir da cana-de-açúcar, pode ajudar os chineses a reduzirem sua dependência do petróleo, que em 2011 obrigou o país a importar aproximadamente 250 bilhões de litros do combustível fóssil, equivalente a 55% do seu consumo interno. A assessora sênior da presidência da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) para Assuntos Internacionais, Geraldine Kutas, reforçou a ideia em apresentação durante o China International Import Conference, Session: Light-Industry & Raw Materials, congresso organizado no dia 07 de setembro pelo governo chinês que atraiu mais de mil pessoas à capital, Pequim. Foi o segundo evento com participação de Kutas no país asiático em setembro.

No encontro, a representante da UNICA demonstrou que o etanol brasileiro representa a melhor alternativa para a crescente demanda por combustíveis na China, país dono de uma frota de aproximadamente 100 milhões de veículos e com a maior produção automotiva do mundo: em 2011, foram 18,5 milhões de unidades fabricadas. Para efeito de comparação, países como Japão e Estados Unidos, segundo e terceiro maiores produtores de carros do planeta respectivamente, montaram juntospouco mais de 17 milhões carros no mesmo período.

“O Brasil pode fornecer um combustível com benefícios econômicos e ambientais, capaz de reduzir a dependência dos chineses pelo petróleo importado e ao mesmo tempo reduzir em até 90% as emissões de gases causadores do efeito estufa (GEEs). São inúmeras vantagens para em um país onde o nível de poluição cresce em ritmo acelerado, principalmente no segmento de transportes,” afirmou Kutas, cuja participação na conferência foi viabilizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Desde 2008, o projeto entre a  Apex-Brasil e UNICA promove a imagem do etanol brasileiro de cana-de-açúcar como energia limpa e renovável ao redor do mundo.

Outro ponto destacado pela Assessora Internacional da UNICA em Pequim foi a falta de água e de terras para expansão da produção de etanol na China. “Ao contrário do caso chinês, o nosso País reúne condições agroclimáticas ideais para expandir seus canaviais sem afetar outras culturas voltadas à produção alimentar,” revela Kutas, lembrando que em 2008 o governo chinês congelou sua política de biocombustíveis após uma crise no setor de alimentos.

E10

Desde 2001, a China promove a mistura de 10% do combustível de origem renovável à gasolina em algumas regiões do país. Atualmente já são dez províncias (Heilongjiang, Jilin, Liaoning, Henan, Anhui, Guangxi, Hebei, Shandong e Jiangsu) e mais de 27 cidades usando o combustível E10, ou gasolina com a adição de 10% de etanol. Existem ao todo cinco usinas em operação no país, cuja capacidade produtiva alcança 2,13 bilhões de litros ao ano, marca 91% inferior à produção verificada no Brasil na safra 2011/2012, que foi de 22,6 bilhões de litros.

As principais matérias-primas usadas na fabricação do etanol chinês são o milho e o trigo, mas por conta de uma restrição do governo proibindo novas plantas industriais para produzir etanol a partir de grãos, estuda-se a possibilidade do uso de mandioca e sorgo sacarino. Duas usinas estão em construção com essa finalidade na província de Guangxi e na Mongólia Interior, localizadas no sul do país.

Em abril deste ano, a China estabeleceu uma nova meta de consumo de cinco milhões de toneladas de etanol no período de 2011 a 2015, quase o dobro do que foi estipulado no plano anterior (2006-2010). Segundo informações da embaixada chinesa em Brasília (DF), o país tenta elevar o uso de energias renováveis, tanto na área de transporte quanto no setor elétrico, dos atuais 8,6% para 11,4% nos próximos três anos.

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