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Os jovens do mundo inteiro têm, cada vez mais, usado o poder da coletividade, impulsionado pelas redes sociais, para liderar campanhas e ações ambientalmente amigáveis. E, preocupados com o “futuro do planeta”, desafiam governos, empresas e tomadores de decisão a agirem para garantir um futuro sustentável.

Levantamento do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que quase um quarto da população mundial é formada por jovens com idade entre 15 e 29 anos, concentrados principalmente nos países em desenvolvimento.

Priyanka Kochhar está entre os 1,8 bilhão de jovens preocupados com o futuro do planeta. A influencer digital tem mais de 400 mil seguidores em uma rede social e aproveita a audiência para fazer diferente. Além de ser uma das únicas mulheres na Índia a falar sobre carros e motos, Priyanka não perde oportunidades de defender questões ambientais.

“Estamos poluindo o planeta todos os dias. Piloto diariamente carros e motos e me sinto culpada por jogar toda essa sujeira na atmosfera. Precisamos de soluções sustentáveis para reduzir a poluição e vejo no etanol uma oportunidade para a Índia”, destacou Priyanka durante o Auto Expo 2020, maior exposição automobilística da Ásia, realizada entre os dias 07 e 12 de fevereiro, em Greater Noida, Índia, a cerca de 30 km da capital, Delhi.

A percepção sobre o biocombustível também é compartilhada pelos estudantes de engenharia Garvit Sukhija (19) e Harsh Lamba (20), do Birla Institute of Technology and Science.

“A Índia é um dos países mais populosos do mundo e usa bastante combustível fóssil. O etanol seria a melhor solução para nós por possibilitar a redução das emissões, além de ser viável do ponto de vista de infraestrutura e economicamente”, disse Garvit Sukhija, ao visitar o estande da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), no Auto Expo.  A participação da UNICA faz parte do projeto setorial com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

“Então, com certeza, com o etanol o céu será azul novamente”, brincou Harsh Lamba ao mencionar a campanha Bring Back My Blue Sky, destacada no espaço montado pela UNICA.

Bring back

Durante o evento, a entidade apresentou a campanha Bring Back My Blue Sky, lançada durante a 25ª Conferência das Partes sobre a Mudança do Clima (COP 25), em Madri, com objetivo de mostrar os resultados positivos do uso do etanol no Brasil, especialmente para a qualidade do ar nos grandes centros urbanos, a exemplo do estado de São Paulo

“São Paulo teve no passado, sobretudo pelo uso de combustíveis fósseis, o céu azul apagado do seu horizonte, substituído por nuvens de fumaça que, além de deixar a cidade mais sombria, trazia prejuízos sociais e econômicos graves. O etanol ajudou a trazer o céu azul de volta para São Paulo e para as grandes metrópoles brasileiras. Vamos apresentar o etanol para o mundo e, com isso, contribuir para que as pessoas mundo afora também possam dizer “Bring Back My Blue Sky”, disse o presidente da UNICA, Evandro Gussi, no lançamento da campanha.

Juventude

Cerca de 60% dos 600 mil visitantes que passaram pela 15ª edição da Auto Expo têm até 30 anos. Além de compartilhar a experiência brasileira com o uso de etanol combustível e mostrar as vantagens para melhoria da qualidade do ar, a UNICA encontrou no salão do automóvel indiano uma oportunidade de falar com o público jovem, com quem a pauta ambiental tem maior apelo.

“Fiquei realmente impressionada com a quantidade de jovens que passaram pelo nosso estande e a curiosidade e interesse deles pelo tema. No momento em que percebiam que estamos tratando de um assunto que está diretamente ligado à melhoria da qualidade do ar, e redução de emissões, vinham super interessados em entender nossa proposta. Ficaram felizes pela possibilidade de aumentar a mistura do etanol na gasolina e com o impacto positivo que isso pode ter já nos próximos anos”, contou Júlia Tausig, relações institucionais da UNICA.

De acordo com o diretor executivo da entidade, Eduardo Leão, o evento impressiona por uma série de fatores: seja pela diversidade de automóveis e marcas apresentadas, seja pelo número de visitantes e jovens que participam do evento.

“E é exatamente esse público que nós queremos atingir com as mensagens que estamos trazendo aqui sobre o etanol. O etanol é capaz de melhorar a qualidade do ar, traz um benefício muito grande para a redução das emissões de gases de efeito estufa, além de ajudar a economia da Índia e a ideia é que nós tragamos o exemplo que o Brasil, há mais de quarenta anos, tem com o uso de etanol em larga escala, seja na mistura da gasolina com 27%, seja no etanol com os carros flex e compartilhar essa experiência com os indianos. Esse é o principal motivo que nos trouxe aqui a Greater Noida”, explicou o executivo.

Poluição no mundo

Estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que a poluição atmosférica provoca cerca de sete milhões de mortes, todos os anos, no mundo inteiro. De acordo com a organização, nove a cada dez pessoas no mundo respiram ar poluído.

De acordo com os relatórios, a poluição causa 24% de todas as mortes de adultos por doença cardíaca, 25% das mortes por acidente vascular cerebral (AVC), 43% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e 29% das mortes por câncer de pulmão.

A maior parte das mortes atribuídas à poluição do ar tem ocorrido no leste da Ásia e no Pacífico (40%) e regiões do sul da Ásia (33%), segundo levantamento do Banco Mundial, intitulado The Cost of Air Pollution.

Matriz energética

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o Brasil tem a matriz energética mais limpa entre os grandes consumidores globais, com a maior participação de energias renováveis. Pouco mais de 45% da energia produzida no país é renovável. Para se ter uma ideia, esse percentual representa mais que o triplo da média mundial. E a cana-de-açúcar é a principal fonte de energia sustentável do Brasil, responsável por 17,4% da matriz energética nacional.

Em 16 anos, o uso de etanol puro nos tanques dos carros dos brasileiros, mais a mistura obrigatória de 27% do biocombustível à gasolina, transformou o céu do país. Nesse período, 535 milhões de toneladas de CO2 deixaram de emitidos. Esse valor representa as emissões anuais de CO2 da Polônia, ou ainda, equivalente à soma das emissões totais de Argentina, Peru, Equador, Uruguai e Paraguai.

Na semana passada, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou a versão 2019 do Relatório sobre a Lacuna de Emissões (Emissions Gap – Report 2019), que aponta que o Brasil progrediu no setor de energia. De acordo com o documento, o entre 2015 e setembro de 2019, o mercado favoreceu as energias renováveis.

O Relatório destaca também que a produção de etanol no Brasil, com o lançamento da nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), será ampliada e, com isso “o país provavelmente atenderá às metas mencionadas na NDC brasileira para o setor de transportes”, diz trecho do documento.

Projeto

A Apex-Brasil e a UNICA tornaram pública em fevereiro de 2008 uma estratégia para promover a imagem dos produtos sucroenergéticos no exterior, em especial do etanol brasileiro como uma energia limpa e renovável. As duas entidades assinaram um convênio que prevê investimentos compartilhados. O projeto pretende influenciar o processo de construção de imagem do etanol e demais derivados da cana junto aos principais formadores de opinião mundial – governos e meios de comunicação, bem como empresas de trading, potenciais investidores e importadores, ONGs e consumidores.