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Etanol e bioeletricidade: vitais para diversificação da energia

27 de junho de 2012

Produtos derivados da cana-de-açúcar, que já respondem por quase um quinto de toda a energia produzida no Brasil, podem contribuir ainda mais para a consolidação de uma matriz energética sustentável, desde que as condições de mercado garantam a competitividade dos derivados de cana. Este foi o ponto central defendido por Eduardo Leão de Sousa, diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) no painel “Energias para um Novo Mundo,” evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) que integrou o Fórum de Lideranças Empresariais, uma série de debates organizados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) no Forte de Copacabana (RJ), na quarta-feira (20/06).

“O evento Rio+20 é uma clara demonstração da preocupação global com a busca por novas fontes de energia, limpas e renováveis. O grande desafio, além da sustentabilidade na produção, é garantir a competitividade, o que necessariamente passa pela formulação de políticas públicas com regras claras e estáveis” ressalta o diretor da UNICA. Sousa destacou os ganhos que o Brasil já obteve a partir do desenvolvimento do maior programa de substituição de combustíveis fósseis por renováveis do planeta, e o potencial de avançar ainda mais nessa direção.

“Além do combustível limpo, a cana também gera bioeletricidade a partir da queima do bagaço, que já é responsável por eletricidade equivalente ao consumo de cinco milhões de residências, ou pouco mais de 10% da população brasileira. Número que em 2020 poderá atingir 20% da demanda nacional, um volume que corresponde ao consumo anual de energia elétrica de um país como a Holanda, ou três usinas como a de Belo Monte,” ilustra Sousa.

“Energias para um Novo Mundo”

Sousa também discutiu a relevância das demais fontes de energias renováveis, destacando a matriz energética brasileira, uma das mais limpas do planeta, com 44% de participação de fontes renováveis. Ele lembrou que “o último relatório sobre energias renováveis do IPCC, órgão da ONU responsável por analisar as mudanças do clima, apontou as fontes biomassa, solar e eólica como as de maior potencial para uma matriz energética renovável global em 2050.” Ele acrescentou que há, no Brasil, espaço para todas essas energias, que podem coexistir de maneira competitiva e sustentável. “Temos uma seleção brasileira em termos de fontes renováveis,” afirmou.

O painel “Energias para um Novo Mundo” foi moderado pelo diretor do departamento de Infraestrutura da Fiesp, Carlos Cavalcanti, e pelo vice-presidente do Sistema Firjan, Carlos Mariani Bittencourt. Além de Sousa, o debate também contou com a presença de três presidentes de importantes empresas que atuam na área de energia: Paulo Stark, da Siemens; Marcelo Soares, da GE Energy America Latina; e Luis Pescarmona, da IMPSA. Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também participou do encontro.

O Fórum de Lideranças Empresariais foi constituído a partir de uma série de debates realizados entre os dias 20 e 21 de junho, que reuniram mais de 30 empresários e representantes de entidades ligadas aos setores mais produtivos da economia brasileira, principalmente na área de energia, como Eike Batista, da EBX, e Murilo Ferreira, da Vale.