26 de março de 2012

Especialistas reunidos no evento Global Collaboratory on EnergyCom investimentos e políticas públicas setoriais, o etanol poderá assumir uma posição cada vez mais estratégica na diversificação da matriz energética mundial, cuja demanda por energia deverá crescer 40% até 2035. Esses foram os temas principais abordados pelo presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Jank, em debate que reuniu especialistas em questões ligadas às energias renováveis durante o evento Global Collaboratory on Energy, organizado pela empresa.

O debate, que teve também a participação do professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e ex-ministro do Meio-Ambiente, José Goldemberg, fará parte da segunda temporada do programa.“O futuro energético não é o petróleo, são as energias renováveis. E o etanol tem potencial para ser a mais viável delas, desde que, claro, haja uma política que ofereça segurança e infraestrutura para sua produção,” avaliou Jank. Ele destacou o potencial do etanol na diversificação da matriz energética mundial, particularmente o produzido a partir da cana, considerado o mais eficiente em termos de redução na emissão de gases causadores do efeito estufa (GEEs) – em comparação com a gasolina, chega a emitir até 90% menos.“Mais de 100 nações em desenvolvimento poderiam fornecer biocombustíveis para o mundo em vez das 20 produtoras de petróleo que fazem isso hoje,” ressalta.

José Goldemberg concordou com a ideia de se investir na produção de fontes de energia limpa como forma de se reorganizar a geopolítica do planeta. “Além do problema ambiental, os combustíveis fósseis, que acabarão em quatro ou cinco décadas, estão distribuídos de forma disforme. A maior parte está no Oriente Médio, região atormentada por conflitos. Se não investirmos em fontes de energia sustentáveis, vamos ficar sem energia,” observa.

Na opinião de Thomas Connelly, vice-presidente Executivo e chefe de Inovação da DuPont que abriu o evento, o processo de diversificação da matriz energética mundial pode ser liderado pelo Brasil, país que supre mais de 45% de suas necessidades energéticas com fontes renováveis, e que possuiu o mais bem sucedido programa de produção e utilização de biocombustíveis do mundo. “Não consigo pensar em nenhum lugar melhor do que o Brasil para discutir os desafios mundiais em torno do nosso futuro energético,” afirma Connelly. Segundo ele, a DuPont vem trabalhando para “alcançar a paridade tarifária em energia solar e eólica, e unindo esforços para tornar os biocombustíveis altamente competitivos em nível global.”

O evento promovido pela DuPont e BBC também contou com a participação do presidente da DuPont para a América Latina, Eduardo Wanick, e de Felipe Faria, responsável pela área de Relações Governamentais e Institucionais do Green Building Council Brazil (GBC-Brasil). A organização não-governamental (ONG), com presença em mais de 25 países, tem o objetivo de fomentar a indústria de construção sustentável.

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