1 de julho de 2008


O caminho para solucionar o problema energético mundial pode passar pelo modelo de sucesso brasileiro com o uso de etanol como combustível, disse o representante da UNICA na União Européia, Emmanuel Desplechin.


Ele participou do seminário de cooperação entre Brasil-Espanha “Desarrollo de la producción de biocarburantes” – Desenvolvimento da produção de biocombustíveis –, que aconteceu de 23 a 27 de junho, em Madri, organizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Politécnica de Madri e pela Casa do Brasil.


Dentro do fórum de discussão “Panorama dos biocombustíveis na Ibero-América”, realizado sexta-feira (27/06/08), o representante da UNICA afirmou que é preciso olhar para além da história brasileira de sucesso com o etanol.


“A cana-de-açúcar pode ser produzida em cerca de 100 países ao redor do mundo, enquanto somente 20 países são produtores de petróleo. O modelo brasileiro pode e deve ser exportado para países de regiões tropicais e subtropicais, trazendo benefícios ambientais e sociais, abrindo caminho para a democratização da energia mundial”, afirmou Desplechin.


Em sua apresentação “Análise e Perspectivas dos Biocombustíveis no Brasil”, o representante da UNICA lembrou os participantes de que com apenas 1% de sua terra arável, o Brasil conseguiu substituir 50% de seu consumo de combustíveis fósseis por etanol, reduzindo em quase 90% a emissão de gases de efeito estufa em comparação à gasolina.


Desplechin ressaltou que a indústria brasileira de cana-de-açúcar não esperou o interesse da União Européia por biocombustíveis para implementar uma série de melhores práticas ambientais e sociais e conclamar a futura Diretiva Européia a evitar a criação de barreiras  não-tarifárias ao comércio.


“Se a União Européia quer realmente reduzir as emissões de CO2 no setor de transportes e diversificar seu suprimento de energia, ela deve concentrar seus esforços na promoção do etanol como uma commodity global e eliminar barreiras no comércio”, concluiu.


Segundo Desplechin, durante o seminário houve grande interesse nos benefícios superiores que o etanol de cana-de-açúcar traz em comparação com outras matérias-primas, além de questionamentos sobre o desenvolvimento da presença internacional da UNICA, que, de acordo com os participantes do evento, tem sido muito útil para divulgar a experiência de mais de 30 anos do Brasil com etanol.


Emmanuel Desplechin participou do seminário dentro do escopo do projeto Apex-Brasil/UNICA, iniciado em janeiro deste ano, parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O objetivo do projeto Apex-Brasil/UNICA é promover a imagem do etanol brasileiro de cana-de-açúcar como energia limpa e renovável ao redor do mundo.

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