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Experiência brasileira ajuda a produção de etanol no Zimbábue

18 de novembro de 2011

Técnicos e especialistas do setor sucroenergético brasileiro têm colaborado para o avanço do programa de biocombustíveis do Zimbábue, país africano onde a produção de etanol deverá atingir um bilhão de litros anuais até 2020. Matéria publicada recentemente no site do tradicional diário britânico “The Herald” informa que, para impulsionar a fabricação de etanol em seu país, o Zimbábue construirá uma usina que seguirá padrões adotados no Brasil.

“O modelo de produção praticado no Brasil é considerado o mais sustentável do mundo no que diz respeito ao cultivo e ao processamento industrial da cana, e se aplica muito bem ao continente africano. Assim como o Brasil, o Zimbábue possui clima e grande disponibilidade de terra para a produção canavieira,” avalia Eduardo Leão de Sousa, diretor executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). Ele acrescenta que o crescimento na produção de etanol no Zimbábue é vital para o processo de consolidação do mercado internacional de biocombustíveis, o que levará naturalmente à ‘comoditização’ do produto.

Além de importar tecnologia e métodos de cultivo praticados nos canaviais brasileiros, o governo do Zimbábue também estuda criar um marco regulatório para o etanol, misturando inicialmente 10% do combustível renovável à gasolina (E10), medida já adotada no Brasil, onde a mistura varia de 18% a 25%.

Melaço

Quando estiver em pleno funcionamento, em dezembro de 2012, a maior usina  de etanol do Zimbábue deverá produzir 105 milhões de litros por ano do biocombustível a partir do melaço, um subproduto do processamento da cana. Segundo a chancelaria brasileira, a expectativa é que em 2014, a unidade localizada no estado de Chisumbanje, região sudeste do país, atenda a metade das necessidades de combustíveis do Zimbábue. O empreendimento, orçado em US$ 600 milhões, é resultado de uma parceria público-privada, que pretende expandir o cultivo da cana na região, dos atuais 12 mil para 40 mil hectares.

O novo projeto em Chisumbanje faz parte de um programa de revitalização da indústria de etanol iniciado em 2008. Com algumas reformas realizadas na usina de Triangle, no distrito de Chiredzi, e a conclusão de mais cinco unidades, o Zimbábue atingirá até 2020 a marca de 260 milhões de litros de etanol produzidos por ano. Atualmente, embora exista uma capacidade de produção de 40 milhões de litros anuais do biocombustível, somente 25 milhões de litros são fabricados.

Dados do estudo Global Agro-Ecological Zones Assessment: Methodology and Results corroboram esta expectativa. Segundo o documento divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) em parceria com o Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA, em inglês), o potencial de área agricultável para a produção canavieira no continente africano é de 81 milhões de ha. Ou seja, cerca de dez vezes a área total utilizada no Brasil para a cultura da cana atualmente.