16 de abril de 2019

“Este é um bom momento para a Índia mudar sua política de açúcar”, destacou a assessora sênior da presidência da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) para assuntos internacionais, Géraldine Kutas, durante o primeiro Global Sugar Summit, realizado pela SugarOnline, no dia 27 de março, em Londres. A participação da UNICA faz parte do projeto setorial com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

“Pela primeira vez, a Índia adotou um programa efetivo de etanol que vai além do mandato de mistura do etanol na gasolina, e que contempla um conjunto de políticas públicas, tais como preços atrativos para o biocombustível e linhas de financiamento para investimentos no setor. O Brasil, com 45 anos de experiência na área, está disposto a providenciar toda a cooperação que o país precise para que o programa seja um sucesso”, revelou a representante da UNICA.
Durante o evento, Géraldine explicou, ainda, que em um programa de etanol bem-sucedido, os excedentes do caldo de cana para produção de açúcar poderiam ser transferidos para produção de etanol. “Se todos os grandes produtores de cana tivessem essa flexibilidade, o mercado teria menos flutuações”, explicou.
No dia 15 de abril de 2019, o Brasil terá a primeira rodada de consultas com a Índia, em Genebra.

PAINEL
A representante da UNICA participou de debate sobre o contencioso contra a Índia, ao lado de representantes da Austrália e Guatemala, países codemandantes da abertura de Painel na Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Géraldine, por ser um país em desenvolvimento, a Índia tem direito de subsidiar seus produtores de cana-de-açúcar, no entanto, esse auxílio não pode ultrapassar 10% do valor da produção. O país asiático, entretanto, concede subsídios ao setor que podem atingir até 90% do valor da produção. Desde 2002/03, o tamanho dos excedentes aumentou em 14 milhões de toneladas, o que representa a produção total da Tailândia, segundo exportador mundial de açúcar.
Com a abertura do Painel na OMC, o Brasil e os países codemandantes querem enviar um sinal para a Índia, e para países que adotem políticas que distorçam o mercado, de que “não vamos tolerar essas medidas, ilegais do ponto de vista da OMC”, observou Geráldine.

PROJETO
A Apex-Brasil e a ÚNICA publicaram, em fevereiro de 2008, estratégia para promover a imagem dos produtos sucroenergéticos no exterior, em especial do etanol brasileiro como uma energia limpa e renovável. As duas entidades assinaram um convênio que prevê investimentos compartilhados. O projeto pretende influenciar o processo de construção de imagem do etanol e demais derivados da cana junto aos principais formadores de opinião mundial, bem como empresas de trading, potenciais investidores e importadores, ONGs e consumidores.

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