5 de julho de 2013

As importações de etanol na Europa vêm diminuindo desde 2008 e este ano não deve fugir à regra, já que o comércio com os EUA, principal fornecedor da UE desde 2010, deve ser praticamente inexistente devido à acusação de dumping pela Europa ao biocombustível americano. “Vamos acompanhar se a produção europeia será suficientemente competitiva para abastecer o mercado interno ou se estimulará importações de outras partes do mundo, talvez criando oportunidades para o Brasil,” salientou a assessora sênior da presidência para Assuntos Internacionais da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) Géraldine Kutas, no evento F.O LICHT’s World Biofuels 2013, realizado no fim de maio em Sevilha, na Espanha.

A participação de Kutas foi mais uma iniciativa da parceria entre a UNICA e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para disseminar o etanol brasileiro no mundo como um biocombustível limpo e renovável. Durante o painel “As perspectivas para o comércio global de etanol em 2013,” Kutas explicou que o cenário atual está atrelado ao fato de que durante muitos anos, os europeus reclamaram que a indústria do país não conseguia se desenvolver devido às importações baratas que chegavam primeiro do Brasil e depois de 2009, dos Estados Unidos.

O debate contou também com a participação da gerente de Mercado da Associação Europeia de Produtores de Etanol (ePURE), Florence Bouyala-Imber e do consultor Legislativo da Renewable Fuels Association (RFA), Edward Hubbard, focando no caráter protecionista do mercado europeu (tarifa de 0,19 euros/litro) e da tarifa anti-dumping.

Além disso, foram abordadas a instabilidade das legislações de biocombustíveis nos EUA; o andamento de um projeto de diretiva na Europa para mudar a política em vigor atualmente (adotada em 2009); e o preço da gasolina no Brasil e seu impacto para o setor sucroenergético.

Kutas apresentou também as projeções da UNICA para a nova safra e a situação atual do setor, mostrando que o Brasil não tem vocação para ser um grande importador de etanol, o que aconteceu excepcionalmente em 2011/12.

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