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Falta de políticas públicas e como voltar a crescer dominam seminár

26 de março de 2014

O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, dos atuais 25%, para 27,5%, e a demora na implementação total da desoneração do PIS/Cofins para o biocombustível, foram apontadas como as principais medidas de curto prazo para a recuperação da participação do etanol na matriz energética brasileira pela presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina. Ela destacou as duas medidas durante participação no Seminário Internacional de Biocombustíveis, realizado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) nos dias 17 e 18 de março, no Hotel Grand Hyatt São Paulo.

Farina afirmou que o etanol de cana-de-açúcar é peça fundamental na agenda econômica e nos desafios energéticos que o Brasil tem pela frente. “Somos pioneiros na tecnologia de produção de biocombustíveis, mas só isso não é o suficiente. Precisamos também de políticas públicas claras e de longo prazo que fortaleçam o etanol e definam sua participação na matriz de energia do País,” declarou Farina.

A presidente da UNICA moderou o painel “Políticas para o Setor de Biocombustíveis”, que também contou com a participação do diretor de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles; do diretor Técnico da Associação dos Fornecedores de Petróleo da Espanha (Association of Spanish Oil Suppliers – AOP), Carlos Martín Martínez; e do diretor da empresa de biocombustíveis da República Eslovaca EIL – Envien International Limited, Robert Spišák.

Dornelles explicou que o aumento do porcentual da mistura do etanol anidro na gasolina, de 25% para 27,5%, depende de questões técnicas. Segundo ele, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) foi contrária ao aumento, alegando que seria impossível elevar a adição de etanol sem comprometer o desempenho dos veículos. “Enquanto não tiver uma mudança sobre essa questão técnica não temos como propor um aumento na mistura,” disse.

Ele também destacou as políticas desenvolvidas pelo governo, como financiamento à estocagem de etanol, credito presumido para cana e incentivos ao desenvolvimento do etanol de 2ª geração, entre outras, como medidas de estímulo ao mercado de biocombustível nacional. Mas ele reconheceu que as ações já tomadas não foram suficientes para promover uma retomada do crescimento no setor sucroenergético. “O governo continua buscando soluções que levem a um resultado melhor,” concluiu.

Em outro painel, o chefe do departamento de Indústria e mercado de petróleo da Agência Internacional de Energia (International Energy Agency – IEA), Antoine Halff, afirmou que a produção de biocombustíveis no Brasil deve crescer mais de 200% em 20 anos, passando de 206,7 milhões de litros para aproximadamente 652 milhões até 2035. Segundo ele, a IEA acredita que, além de quase quadruplicar a geração de energias renováveis, o País responderá por 40% da exportação mundial de biocombustíveis.