fbpx

Geradores a etanol na Amazônia e Antártica são nova tecnologia

18 de outubro de 2011

Gerador a etanol sendo embarcado para a Antártica Foto VSE/ DivulgaçãoO uso de geradores a etanol representa uma solução sustentável para a produção de eletricidade em países dependentes de fontes fósseis de energia, ainda mais em regiões remotas como a Antártica e a Amazônia. Esta é a opinião do consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, comentando a implantação dessa tecnologia em diversas localidades ao redor do mundo, com participação de empresas como a Vale Soluções em Energia (VSE) e a Petrobrás Biocombustível.

O especialista da UNICA considera que Amazônia e Antártica possuem um apelo ambiental estratégico para estimular o crescimento do mercado de geradores a etanol. “São regiões com características bem diversas, particularmente em termos de clima, mas que simbolizam a luta pela preservação dos recursos naturais. Ambas enfrentam dificuldades para acesso ambientalmente sustentável à energia elétrica,  e o uso do etanol pode representar uma importante alternativa,” observa Szwarc.

O executivo acrescenta que a emissão de outros poluentes também é consideravelmente menor com etanol, especialmente em relação às partículas e óxidos de nitrogênio, o que torna o seu uso ainda mais conveniente. Segundo a VSE, na comparação com turbinas elétricas convencionais, movidas a diesel, a redução nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) que os equipamentos a etanol proporcionam é de 68%.Para Márcio Brasileiro, diretor de Vendas e Serviços da VSE, a marca pretende comercializar geradores a etanol em todas as cidades do País. “A empresa está concluindo a campanha final de validação dos geradores a fim de torná-lo um produto comercial, de linha, com plena capacidade de produção,” afirma.

As primeiras pesquisas para o desenvolvimento desta tecnologia tiveram início em fevereiro de 2009, quando foi criada a VSE, por iniciativa da Vale e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o objetivo de fabricar sistemas de geração de energia ambientalmente sustentáveis. Na oportunidade, os dois primeiros protótipos para gerar energia a etanol foram instalados no Forte de Copacabana durante a semana em que o Comitê Olímpico Internacional (COI) realizou visita de inspeção ao Rio de Janeiro.

Em 2010, durante o Salão Internacional do Automóvel em São Paulo, a VSE utilizou o combustível renovável fabricado a partir da cana-de-açúcar para iluminar o estande do Projeto AGORA, uma das maiores iniciativas de comunicação integrada já implantada no agronegócio brasileiro. O estande ofereceu informações sobre o etanol e os veículos flex, além de abrigar o concurso interativo Labirinto Canavial, que atraiu mais de 10 mil participantes.

Amazônia e Antártica

O Brasil será o primeiro país a ter energia elétrica gerada a partir de etanol de cana na Antártica. Para isso, a VSE, em parceria com a Marinha do Brasil, vai transportar até o continente gelado 350 mil litros do combustível renovável fornecido pela Petrobras Biocombustíveis. A partir de novembro deste ano, serão produzidos 250 quilowatts para consumo na Estação Antártica Comandante Ferraz, um centro de pesquisa mantido pelo governo brasileiro no continente. Ao todo, a viabilização do projeto demandará R$ 2,5 milhões em investimentos.

Na Amazônia, um acordo fechado entre a VSE e a Eletrobrás Amazonas Energia vai possibilitar a entrada em operação até o final deste ano de dois geradores a etanol de cana em caráter provisório. Eles vão iluminar a Vila de Lindóia, localidade situada a 250 quilômetros de Manaus. Futuramente, estas turbinas poderão ser abastecidas com etanol de mandioca, já que há pouca disponibilidade de cana-de-açúcar na região, por motivos climáticos e ambientais.

Para adequar o uso do biocombustível de mandioca em substituição ao fabricado da cana, e garantir o funcionamento destes geradores originalmente fabricados para operarem a etanol de cana, pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e do Instituto Energia e Desenvolvimento Sustentável (Inedes) estão desenvolvendo uma série de pesquisas, que incluem até a construção, ainda este ano, de uma pequena usina que produzirá combustível renovável usando a mandioca como matéria prima.