24 de janeiro de 2012

undefinedGeradores movidos a etanol, como os modelos que entraram em operação em 10 de janeiro na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), são uma alternativa sustentável para países que precisam reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) e consumir menos energia fóssil. A avaliação é do consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, que vê no uso do equipamento fabricado pela Vale Soluções em Energia (VSE) uma oportunidade comercial para o Brasil.

“A utilização pioneira deste tipo de equipamento em uma região estratégica no mundo do ponto de vista ambiental amplia as perspectivas do biocombustível brasileiro no mercado internacional. Por ter um ponto de congelamento extremamente baixo, o etanol é mais apropriado que a gasolina ou o óleo diesel para operar nas baixas temperaturas observadas na Antártica,” avalia o executivo da UNICA.

Na comparação com turbinas elétricas convencionais movidas a combustíveis fósseis, o derivado da cana proporciona uma redução de 68% nas emissões de GEEs, além de lançar menos partículas e óxidos de nitrogênio na atmosfera. O Brasil é líder no uso de etanol em motores a combustão, como os de automóveis flex ou os que equipam os geradores na Antártica.Geradores a etanol da VSE foram uma das atrações para o público que visitou o estande do Projeto AGORA, durante a realização do Salão Internacional do Automóvel em São Paulo, em 2010.

Estação de pesquisa brasileira recebeu o primeiro gerador a
etanol em operação no continente gelado (Crédito: Agência
Brasil)

Na ocasião, dois modelos de 400 quilowatts (KW) de potência, alimentados por um tanque especial com capacidade para 3.000 litros de etanol, iluminaram o estande.

A exposição comercial dessa tecnologia ganhará ainda mais força em 2012, ano que a Organização das nações Unidas (ONU) definiu como o Ano Internacional de Energia Sustentável para Todos. O objetivo é incentivar a conscientização sobre o uso sustentável de recursos naturais, esforço que culminará com a realização, em junho, da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, mais conhecida como Rio+20.

Apelo estratégico

A instalação de um gerador a etanol na Antártica em janeiro foi prestigiada pelo ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, que acionou o equipamento durante visita ao continente. Em complemento aos geradores convencionais movidos a diesel, já utilizados no local, a novidade vai garantir toda a energia elétrica necessária para o funcionamento do centro de pesquisa científica estabelecido na Antártida pelo governo brasileiro em 1984.

Diariamente, serão produzidos 250 (KW) para consumo na estação, o que exigirá, ao longo do ano, a utilização de 350 mil litros de etanol, o mesmo combustível utilizado em automóveis flex. A Petrobrás, fornecedora do biocombustível, vai acompanhar de perto o desempenho do etanol sob baixas temperaturas.

Ao todo, o projeto, que também tem apoio logístico da Marinha do Brasil, consumirá R$ 2,5 milhões, recursos viabilizados pela Lei da Inovação, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

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