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Greenpeace: bioeletricidade da cana deve ser ampliada no Brasil

5 de outubro de 2011

Representantes da ONG verificam de perto o potencial da bioeletricidade em canavial de usina paulista (Foto: Guarani S.A.)Uma das mais importantes Organizações Não-Governamentais (ONG) dedicadas à preservação ambiental do mundo, o Greenpeace, acredita que a bioletricidade produzida a partir do bagaço da cana-de-açúcar é um opção energética que deve ser incentivada por ser sustentável. Na quinta-feira (29/09), um grupo de integrantes do Greenpeace Brasil visitou a usina Cruz Alta, do Grupo Guarani, em Olímpia (SP), na companhia do gerente de Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar de Souza. A impressão dos integrantes do grupo foi positiva sobre o que assistiu.

“A característica de complementação aos períodos de baixa geração de energia na matriz elétrica brasileira, aliada à redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), aponta para uma avaliação extremamente positiva nas questões ambientais e sociais e motiva a ampliação da utilização da bioeletricidade, de forma a atender a crescente demanda nacional,” afirma Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Energias Renováveis do Greenpeace.

O interesse do Greenpeace pelo setor sucroenergético e a bioeletricidade foi reforçado pelo relatório “Revolução energética: a caminho do desenvolvimento limpo”, divulgado em novembro de 2010, durante a 16ª Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-16), em Cancun, México. Os resultados do estudo servem de base para um documentário que está sendo produzido em diversas centrais de geração que utilizam fontes renováveis, entre elas a usina de Cruz Alta.

Greenpeace grava documentário sobre a produção de energia elétrica por meio da queima do bagaço de cana na usina (Foto Guarani S.A.)Na empresa, a equipe do Greenpeace coletou uma série de imagens: desde a colheita mecanizada da cana-de-açúcar até o processo de geração de energia elétrica e vapor na unidade termelétrica.

Políticas públicas

O relatório do Greenpeace, que está em sua 2ª edição, revela um cenário no qual até 2050 o Brasil poderá ter 93% da energia elétrica produzida por fontes renováveis. De acordo com o estudo, a bioeletricidade sairá de uma fatia de menos de 4% em 2007, para chegar a quase 17% da matriz de energia elétrica em 2050. “Para criar efetivamente um mercado de energias renováveis modernas é preciso criar uma política com pacotes de incentivos mais abrangentes e ambiciosos,” aponta um dos trechos do relatório. Para Zilmar de Souza, da UNICA, deveria haver uma política energética específica para as fontes renováveis como a bioeletricidade, na qual os critérios de sustentabilidade fossem valorizados. “Atualmente, nos leilões regulados promovidos pelo Governo Federal, concorremos diretamente com fonte fóssil de energia, sem nenhuma diferenciação entre as fontes, sem considerar o aspecto ambiental”, afirma Souza.

Para Jacyr da Silva Costa Filho, diretor presidente do Grupo Guarani e conselheiro da UNICA, a visita do Greenpeace Brasil à usina Cruz Alta é um importante sinal de que a bioletricidade a partir da cana começa a ser vista com outros olhos pelas ONG´s. “Existem nos canaviais brasileiros três Belo Monte adormecidas e que precisam ser aproveitadas, com menor impacto ambiental. Temos tudo para ser um paradigma nesta questão,” afirma o executivo.

O documentário do Greenpeace sobre a bioeletricidade no Brasil deve ficar pronto no primeiro trimestre de 2012.