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Indústria latino-americana discute imagem do açúcar e políticas

29 de agosto de 2017

Alinhar estratégias de comunicação com base em argumentos técnicos e científicos que apoiem o consumo equilibrado do açúcar, ao contrário de campanhas e escritos mal embasados que apontam o produto como vilão da alimentação. Este foi o tema-chave de um encontro promovido pelas associadas latino-americanas da World Sugar Research Organization (WSRO), no início da semana passada (21 e 22/08), em Miami, nos EUA.

O encontro reuniu empresas e entidades de países responsáveis por 1/3 da produção e quase 2/3 das exportações mundiais de açúcar, dentre as quais a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). Um documento assinado por todos os participantes do encontro, com recomendações em prol da cooperação entre os países para compartilhamento do conhecimento sobre o tema açúcar e saúde pode ser acessado aqui.

Presente nos dois dias de evento, o diretor Executivo da UNICA, Eduardo Leão de Sousa, relatou a experiência do setor sucroenergético brasileiro no combate à “vilanização” do açúcar para executivos de dez países grandes produtores de açúcar na América Latina – Argentina, Colômbia, México, Guatemala, Costa Rica, El Salvador, Chile, Honduras, Peru, Nicarágua –, e de entidades internacionais do segmento, incluindo a diretora Geral da WSRO, Roberta Re, e o diretor Executivo da International Sugar Organization (ISO), José Orive. A presença do representante da UNICA foi possível graças a uma parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para promover os derivados da cana no exterior.

Durante o encontro foram debatidos mecanismos regulatórios implementados pelos governos, normalmente por meio da imposição de impostos a alimentos e bebidas açucaradas, rotulagem, limitação à propaganda e reformulação de alimentos e bebidas processados, muitos deles já utilizados ou em discussão em diversos países da América Latina. Nesse sentido, a diretora geral da WSRO ressaltou a importância do conhecimento científico em bases sólidas que ampare essas políticas, lembrando que muitas das críticas ao açúcar carecem de fundamentação sobre causa e efeito. De fato, diversos outros alimentos já foram considerados altamente prejudiciais à saúde humana e posteriormente “redimidos” pela própria ciência.

O executivo da UNICA destacou a importância da educação da população que induza a uma alimentação rica e balanceada, em oposição a esses mecanismos regulatórios, que apenas criam alimentos “vilões” e desconsideram a necessidade de hábitos de vida efetivamente saudáveis.

“No Brasil, há quase três anos, a indústria canavieira apoia uma campanha para equalizar o debate sobre o açúcar como componente que pode e deve fazer parte de uma dieta saudável e equilibrada. Intitulada ‘Doce Equilíbrio’, esta iniciativa busca, de forma orgânica, principalmente via redes sociais e encontros presenciais com a mídia e órgãos de governo, esclarecer pontos polêmicos e fornecer conteúdo de qualidade sobre o universo do açúcar”, explica o Eduardo Leão.

Sustentabilidade

Dentre outros temas debatidos durante o encontro, destacou-se a apresentação do diretor da ISO, na qual ressaltou a relevância das práticas de sustentabilidade na indústria do açúcar na América Latina, com foco no manejo agrícola, direitos trabalhistas e propriedade da terra, e destacou a comunicação como condição fundamental para o negócio.

“Ficou claro que há uma preocupação cada vez maior dos países latino-americanos sobre a necessidade do contínuo aprimoramento das práticas sustentáveis e que há ricas experiências em diversos países. É necessário, no entanto, um constante aprimoramento destas ações e esta colaboração e troca de ideias entre os países produtores é fundamental para avançarmos nesta agenda”, concluiu o executivo da UNICA.