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Jank: Comoditização do etanol permanece o grande desafio

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1 de setembro de 2008


A superação de barreiras tarifárias e técnicas, impostas principalmente por países desenvolvidos, e a eventual transformação do etanol em commodity global negociável, com a ampliação no número de países que produzem e utilizam o combustível, permanecem os principais objetivos da indústria brasileira da cana-de-açúcar. Assim se expressou o presidente da UNICA, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar, Marcos Sawaya Jank, ao coordenar o primeiro painel do Décimo Fórum Internacional sobre o Futuro do Álcool 2008, evento oficial de abertura das principais feiras do setor sucroenergético brasileiro, a Fenasucro e a Agrocana, realizado nesta segunda-feira 01/09/2008) em Sertãozinho (SP).


Jank destacou os esforços da UNICA nas áreas de competitividade, sustentabilidade e comunicação, citando a campanha publicitária nacional recém-lançada que introduz a marca “etanol” e inclui uma cartilha com esclarecimentos sobre a produção e o uso do combustível – exemplares foram distribuídos aos cerca de 500 participantes. O presidente da UNICA também deu detalhes do tipo de obstáculo que retarda a transformação do etanol em commodity, referindo-se a dezenas de processos em andamento em várias partes do mundo, todos buscando a certificação do combustível: “na maioria dos casos, procuram determinar até mesmo o que o produtor pode ou não plantar em sua propriedade no Brasil, mas quando tentamos inserir na discussão considerações de ordem econômica para garantir a sustentabilidade do negócio, argumentam que isso fere a soberania dos países envolvidos. E determinar o que se pode ou não plantar, não fere?”


O painel coordenado por Jank contou com seis apresentações: do vice-presidente da ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio, Luiz Carlos Correa de Carvalho; do responsável pela área do agronegócio da APEX, a Agência de Promoção das Exportações do governo federal, Eduardo Caldas; do diretor da área de agronegócios do Banco do Brasil, José Carlos Vaz; do diretor-superintendente do CTC, o Centro de Tecnologia Canavieira, Nilson Boeta; do diretor executivo da Embrapa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária,  José Geraldo Eugenio de França; e de Joel Velasco, representante-chefe da UNICA para a América do Norte baseado em Washington.


Velasco explicou a importância da decisão tomada pelos Estados Unidos em 2007, ao programar a expansão na produção e uso do etanol no mercado americano até 2020, garantindo a presença crescente do etanol no principal mercado do mundo por muitos anos. Ao mesmo tempo, ele lamentou a lentidão no andamento do Memorando de Entendimentos assinado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush, que entre outras iniciativas pretende expandir a produção e utilização do etanol para outros países das Americas, particularmente na região do Caribe e na América Central. “É fundamental que se avance com esse processo, sempre no sentido de se conquistar a condição de commodity para o etanol”, frisou Velasco.


Realizado no Teatro Municipal de Sertãozinho, o Décimo Fórum Internacional sobre o Futuro do Álcool 2008 contou ainda com palestra sobre emissões e créditos de carbono, do professor do Instituto de Estudos Avançados da USP, Luiz Gylvan Meira Filho, e um painel coordenado pelo ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues. Entre os participantes estavam o presidente do conselho da BM&F-Bovespa, Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo;  o diretor de qualidade do Inmetro, Alfredo Carlos Lobo; o diretor industrial da Usina São Francisco, Jairo Menesis Balbo; o vice-presidente da Brenco, Rogério Almeida Manso da Costa Reis; o gerente geral de etanol da Petrobrás Biocombustíveis, Júlio César Pinho; e o gerente executivo para utos e terminais da Transpetro, Carles Siqueira Labrunie.


Em sua décima-sexta edição, a Agrocana e a Fenasucro até a próxima sexta-feira (05/09/2008) são realizadas conjuntamente e são consideradas as principais feiras voltadas para o setor sucroenergético brasileiro. Com 420 expositores este ano, os organizadores esperam cerca de 30 mil profissionais e empreendedores do setor, cerca de mil visitantes do exterior representando 41 países, e estimam que o evento deve movimentar mais de R$ 1,8 bilhão em negócios.