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Jatos movidos a cana-de-açúcar: UNICA vê avanço essencial

2 de agosto de 2011

Aviões cruzando os céus utilizando biocombustíveis produzidos a partir de cana-de-açúcar, ecologicamente corretos e com emissões reduzidas de gases que causam o efeito estufa, podem ser uma realidade não tão distante. Essa é a aposta das fabricantes de aeronaves Boeing e Embraer, que vão financiar uma série de pesquisas sobre o tema com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Amyris, empresa especializada em biotecnologia. Embora em estágio ainda inicial, a iniciativa sinaliza uma tendência de importância fundamental na visão da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

“É um esforço importante e correto para pesquisa e desenvolvimento. O querosene de aviação derivado de petróleo é poluente e contribui para a emissão de gases de efeito estufa que intensificam o aquecimento global. A utilização de um combustível renovável a partir da cana-de-açúcar neste contexto é de grande importância, pois ajudaria a diminuir a emissão desses gases,” afirma Alfred Szwarc, consultor de Emissões e Tecnologia da UNICA.

A parceria entre Boeing, Embraer e BID foi anunciada no final de junho, com as pesquisas para a utilização do biocombustível sob responsabilidade da Amyris do Brasil, coordenadas pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone) e supervisionadas pela organização não-governamental World Wildlife Fund (WWF). Os resultados do trabalho devem ser divulgados no início de 2012.

De acordo com André Nassar, do Icone, o objetivo do estudo é fornecer dados sobre o ciclo de vida das emissões associadas aos combustíveis de fontes renováveis utilizados em aviões. “Vamos examinar também as mudanças no uso indireto da terra e seus efeitos. Serão feitas análises dos combustíveis derivados da cana para jatos em relação aos padrões de sustentabilidade existentes, incluindo o Bonsucro, o Roundtable on Sustainable Biofuels e o Biofuel Scorecard do BID,” destaca.

Fontes Renováveis

O forte envolvimento brasileiro com fontes renováveis de energia foi destacado pelo diretor de Estratégia e Tecnologia para o Meio-Ambiente da Embraer, Guilherme Freire. “O Brasil é uma rica fonte de biomassa e o desenvolvimento dessas tecnologias, baseadas na cana-de-açúcar, reforçam a importância do crescimento sustentável da aviação para o País,” disse.

Já Billy Glover, vice-presidente de Meio Ambiente e Política de Aviação da Boeing, enfatizou a parceria entre as empresas brasileiras e americanas. “A pesquisa em parceria para o uso da cana em jatos é importante para diversificar as fontes de combustível de aviação e fortalecer a cooperação estabelecida entre os Estados Unidos e o Brasil na área das energias renováveis,” destacou.

Para o CEO da Amyris, John Melo, o planeta não será beneficiado por um combustível que apenas substitua os atuais. “Este estudo nos ajudará a substituir os combustíveis fósseis com um combustível de fonte renovável para jatos, que exceda os atuais critérios técnicos e de sustentabilidade,” explica.