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Leilões em junho têm 81 inscritos, mas falta de isonomia preocupa

11 de maio de 2011

Os leilões públicos de energia marcados para o mês de junho, sob a coordenação do Governo Federal, atraíram um número considerado bom de projetos inscritos, na avaliação da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). De acordo com informações divulgadas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foram cadastrados 81 projetos que vão gerar bioeletricidade a partir do bagaço da cana.  O detalhe que preocupa, porém, está na falta de isonomia entre as fontes eólica e bioeletricidade, que concorrerão ao mesmo tempo.

“Condições singulares de financiamento, de caráter fiscal e mesmo os próprios contratos resultantes dos leilões para energia eólica acabam comprometendo a concorrência para a bioeletricidade,” avalia Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da UNICA. Segundo ele, “nos últimos anos nitidamente houve um esforço do governo para adequar a energia eólica no sistema elétrico nacional, benefício este que deveria ser estendido à bioeletricidade para que existisse uma isonomia nestas duas formas de energia renovável”.

A EPE informou que foram cadastrados para os leilões de junho 42 projetos de hidrelétricas, 429 centrais eólicas, 81 usinas a bioeletricidade e 16 termelétricas a gás natural. Somadas, estas fontes consolidam 568 projetos e uma oferta de 23.332 MW em termos de capacidade instalada.  Embora o processo para cadastramento já tenha terminado para fontes renováveis como a bioeletricidade, hídrica e eólica, ainda é possível inscrever projetos de usinas térmicas a gás natural. Nesses casos, o prazo termina em 19 de maio.

Divisão por estado

Dos 81 projetos de bioeletricidade previstos, com oferta total de 4.580 MW, a divisão por estados foi a seguinte:

· Alagoas (3 projetos, 99 MW);
· Bahia (2 projetos, 46 MW);
· Goiás (4 projetos, 408 MW);
· Minas Gerais (13 projetos, 653 MW);
· Mato Grosso (1 projeto, 30 MW);
· Mato Grosso do Sul (7 projetos, 523 MW);
· Paraíba (2 projetos, 50 MW);
· Rio Grande do Norte (1 projeto, 40 MW);
· São Paulo (46 projetos, 2.651 MW)

Gás Natural x Bioeletricidade e Eólica

O gerente de bioeletricidade da UNICA aponta mais uma preocupação dos produtores: no chamado Leilão A-3, a bioeletricidade e a fonte eólica concorrerão diretamente com térmicas a gás natural. Souza explica que para cada MWh gerado por meio do gás natural, até 440 quilos de dióxido de carbono (CO2) são emitidos na atmosfera. Por outro lado, no caso da bioeletricidade as emissões não são consideradas por ser a fonte de energia limpa e renovável.

“A energia produzida não poder ser diferenciada no seu uso final. A lâmpada acesa gera a mesma utilidade para o consumidor, sendo a energia produzida pela bioeletricidade ou a queima do gás natural. No entanto, o modo de produção e o combustível são diferentes entre as fontes, principalmente quando se contabiliza as emissões que causam o efeito estufa em nosso planeta. Voltar a inserir gás natural em detrimento da bioeletricidade plenamente disponível, significa um retrocesso em política de sustentabilidade para a matriz de energia elétrica do Brasil,” conclui Souza.