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Financiamentos do BNDES precisam estar certos com INDC brasileira

5 de outubro de 2015

O esforço para elevar de 10% para ao menos 23% a participação das energias renováveis (biomassa, solar e eólica) da geração de eletricidade do Brasil até 2030, compromisso assumido pelo País em seu plano doméstico (INDC) de combate às mudanças climáticas, demandará volumes significativos de investimentos no setor.

Mas a viabilização desses recursos exigirá a flexibilização das linhas de créditos ofertadas pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinadas ao financiamento de projetos de eficiência energética e cogeração no segmento produtivo.

Este foi um dos pontos discutidos pelos mais de 60 participantes do seminário “Linhas de Financiamento para Cogeração”, promovido pela Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) em parceria com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), na última semana (01/09) na sede da entidade, em São Paulo (SP).

“Um incremento substancial de 13% de energias renováveis na geração de eletricidade para 2030 em comparação com o que existe hoje, depende de linhas de financiamento adequadas para as externalidades das fontes de biomassa, solar e eólica”, avaliou o gerente em Bioeletricidade da UNICA, Zilmar Souza.

Na avaliação do representante do BNDES, Gaspar Giacomini, que apresentou a palestra “A nova linha de financiamento a Eficiência Energética”, embora o Banco apoie investimentos neste segmento por meio de diversas linhas e produtos, tanto na modalidade direta (negociação com o BNDES) quanto na indireta (com instituições financeiras credenciadas pelo Banco), “este leque de instrumentos de apoio ainda não é amplamente conhecido pelo mercado.”

Na apresentação “Alternativas para o financiamento de projetos de Bioenergia”, feita pelo diretor da Clean Energy Latin America (CELA), Eduardo Tobias, cuja empresa é especializada em assessoria financeira no setor de energia renovável, o processo de aumento da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), somado à redução do limite de alavancagem via BNDES e/ou Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), resultam na maior necessidade de capital próprio e no encarecimento do investimento. Daí a relevância de se conhecer bem as possibilidades de linhas de financiamento no mercado.

Para o diretor de tecnologia e regulação da Cogen, Leonardo Caio Filho, o evento realizado na UNICA foi muito produtivo e mostrou a complexidade da estruturação de projetos de bioenergia. “Os palestrantes mostraram a importância de se ter uma estratégia bem conduzida de financiamento para o sucesso do investimento em energias renováveis”, avaliou.