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México busca saída para suas limitações na produção de etanol

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31 de outubro de 2008


Com alta produção de milho, mas pouco excedente para utilizá-lo na produção de etanol, especialmente devido à importância do cereal como alimento humano no país, e ainda por encontrar limitações para expandir as plantações de cana-de-açúcar, o México está atrás de alternativas para ampliar a oferta de biocombustíveis no mercado interno e, assim, reduzir as importações de petróleo, que hoje respondem por 40% do seu consumo. Os desafios do país no setor energético motivaram o Fórum Nacional da Indústria Petroquímica, realizado em 30 e 31 de outubro na Cidade do México, a se tornar palco para autoridades, incluindo o presidente Felipe Calderon, empresários, representantes de diversas organizações e membros da sociedade civil discutirem saídas nesta área.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) foi uma das entidades de cunho internacional convidadas a participar do evento, especialmente para relatar a experiência com a produção e o uso de etanol em larga escala no Brasil, considerado o maior e mais bem-estruturado mercado de biocombustíveis do mundo. A assessora internacional da UNICA, Géraldine Kutas, integrou um painel com o subsecretário mexicano de Planejamento Energético, Jordy Herrera Flores, e o presidente do WorldWatch Institute, Chris Flavin, no qual expôs dados que impressionaram a audiência, como o fato de o Brasil ter substituído 50% de sua demanda por gasolina com etanol de cana-de-açúcar, utilizando apenas 1% de sua terra arável.

Kutas concentrou seu discurso nos benefícios econômicos, ambientais e sociais do setor sucroenergético brasileiro, ao descrever a cadeia produtiva do etanol. “Dei ênfase especial na transformação das usinas de açúcar em biorrefinarias, que produzem tanto açúcar como etanol combustível, bioeletricidade, etileno e polietileno (os dois últimos são insumos para bioplásticos)”, descreveu. “Isso mostra como o etanol de cana está se tornando uma promessa de matéria-prima para bioplásticos, que têm três vantagens principais: são renováveis, 100% recicláveis e reduzem as emissões de CO2 de modo significativo”.

Segundo Herrera Flores, nas condições atuais o México não terá capacidade de substituir mais do que 20% de seu consumo de gasolina por etanol. De acordo com o plano nacional de bioenergia, aprovado em fevereiro de 2008, inicialmente a mistura de etanol com gasolina será utilizada apenas na cidade de Huaraca, com um consumo de 200 milhões de litros de etanol por ano. O plano prevê que este consumo atingirá 800 milhões de litros em 2012, quando já estiver implantado em outras grandes cidades mexicanas, como em sua capital.

Dados da Unicamp, do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e da Braskem mostram que cada tonelada de bioplástico retira 2,5 toneladas de CO2 da atmosfera, enquanto a produção convencional – que utiliza nafta do petróleo como matéria-prima – emite 2,5 toneladas de CO2 para cada tonelada de plástico produzida. “Esse desempenho ambiental impressionante pode ser obtido porque a produção de polietileno está integrada à usina de açúcar e etanol, que utiliza a co-geração de energia elétrica por meio do uso de bagaço da cana em turbinas de alta pressão”, explicou Kutas.


Há atualmente cinco projetos de fábricas de bioplásticos em desenvolvimento no Brasil, segundo a executiva da UNICA. Em 2011, essas indústrias deverão consumir 2 bilhões de litros de etanol para produzir “plástico verde”. “Mesmo para países produtores de petróleo, como México e Brasil, o futuro das indústrias de petróleo e químicos está na diversificação de matérias-primas e de fornecedores”, concluiu Kutas.


Kutas participou do evento, que foi acompanhado por mais de 600 participantes, dentro do escopo do projeto Apex-Brasil/UNICA, iniciado em janeiro deste ano, parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O objetivo do projeto Apex-Brasil/UNICA é promover a imagem do etanol brasileiro de cana-de-açúcar como energia limpa e renovável ao redor do mundo.


Clique aqui e veja a apresentação de Kutas.