17 de novembro de 2009

Como o Brasil deve lidar com o cumprimento dos critérios de sustentabilidade em relação ao setor sucroenergético impostos pela Diretiva Européia? A indagação partiu de Hilary Benn, Ministro de Estado do Reino Unido para Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra), durante visita à sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), na segunda-feira (16/11), em São Paulo.

A assessora sênior do presidente da UNICA para assuntos internacionais, Géraldine Kutas, que recebeu o ministro e sua delegação, afirmou que a dificuldade do setor não é com o cumprimento dos critérios, mas sim seu processo de implementação. “Nossos desafios são com o tipo de provas que devemos dar para mostrar que o etanol brasileiro é realmente sustentável, além da rastreabilidade do produto. Dos diferentes critérios e requerimentos exigidos, o único que nos traz problemas é a questão dos Efeitos Indiretos no Uso da Terra (Indirect Land Use Changes – ILUC)”.

Para vários analistas, o modelo de cálculo de emissões resultante de ILUC é um exercício acadêmico que pouco tem a ver com a realidade da agricultura global. No caso brasileiro, este modelo relaciona o efeito indireto da cultura da cana no país e o desmatamento da Amazônia.

“A agricultura e a pecuária brasileira podem atender a um eventual aumento na demanda por etanol de cana sem causar desmatamento. A expansão da cana-de-açúcar deve acontecer na região Centro-Sul, responsável por 90% da produção e que já dispõe de infraestrutura logística”, enfatizou Geraldine apontando ao ministro o mapa da cana-de-açúcar no Brasil e a concentração desta indústria, muito distante do bioma amazônico.

A Diretiva Européia sobre o uso de energias renováveis, aprovada pelo Parlamento Europeu em dezembro de 2008, tem a meta de 10% de uso de energias renováveis no setor de transportes e afeta todos os países membros. “O Reino Unido é um importador de etanol do Brasil e estão preocupados em saber se a implementação da Diretiva ocorrerá com facilidade ou se haverá algum problema”, afirmou a assessora da UNICA.

Durante a safra 2008/2009, o Reino Unido consumiu 2,6% de bicombustível no setor transportes, sendo 18% etanol e o restante biodiesel. Ao todo foram consumidos 221 milhões litros de etanol dos quais 80% eram do Brasil.

O ministro visitou a UNICA acompanhado de uma delegação formada por sete pessoas, entre elas, Alan Charlton, Embaixador Britânico no Brasil, Martin Raven, Cônsul Geral Britânico em São Paulo e Mike Barret, chefe de Mudança do Clima no Defra.

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