18 de junho de 2009

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) divulgou nesta quinta-feira (18/06/2009) o seu levantamento periódico sobre a moagem de cana na região Centro-Sul. Os dados indicam que, apesar do ritmo forte de moagem de cana-de-açúcar na safra 2009/10, as unidades produtoras não estão conseguindo ampliar os estoques de etanol, que cresceram em apenas 330 milhões de litros desde o início da safra.

De acordo com a UNICA, os números de produção e comercialização até 1º de junho indicam que o estoque disponível é suficiente para atender à demanda de junho, se for mantido o mesmo ritmo de vendas observado até agora. As empresas do setor ainda não conseguiram utilizar os R$ 2,5 bilhões em financiamentos para estocagem (warrantagem) disponibilizados no início do ano pelo BNDES e o Banco do Brasil. Os recursos tiveram baixa demanda, pois é necessário armazenar 1,5 litro de etanol para cada litro financiado.

Pelo levantamento da UNICA, a quantidade de cana esmagada na segunda quinzena de maio foi de 36,45 milhões de toneladas, 15,66% superior ao da mesma quinzena na safra passada. O acumulado até 1º de junho de 2009 chegou a 109,71 milhões de toneladas, 43,55% superior ao registrado no mesmo período na safra anterior.

Houve uma redução na quantidade de produtos totais (ATR – açúcar total recuperável) obtidos por tonelada de cana esmagada, em parte devido a chuvas ocorridas ao longo de maio em grande parcela da região canavieira. O ritmo acelerado da moagem nas primeiras quinzenas da safra também levou muitas unidades produtoras a direcionar a colheita para áreas de cana jovem, não inteiramente em condições para colheita, impactando negativamente a qualidade da cana processada. Em relação ao verificado na mesma quinzena do ano passado, a redução do ATR foi de 2,28%, levando a uma queda de 127,87 Kg para 124,96 Kg ATR por tonelada de cana. O acumulado desde o início da safra continua superior ao da safra passada em 1,97 Kg, chegando a 119,80 Kg contra 117,49 Kg ATR por tonelada na safra anterior.

A produtividade agrícola, em toneladas de cana por hectare, está sendo superior à da safra passada na cana bis – cana “em pé”, não colhida na safra anterior –, porém, inferior na cana de ano-e-meio (18 meses), que é o estágio de corte com maior produtividade agrícola. Nos demais estágios de corte, a produtividade tem sido ligeiramente superior ao verificado na safra passada.

Até 1º de junho, mais de 50 unidades produtoras da Região Centro-Sul ainda não haviam iniciado a moagem. Desse total, 22 são unidades novas, que deverão realizar sua primeira moagem durante a atual safra. Outras quatro unidades produtoras interromperam a moagem durante a segunda quinzena de maio, com datas de retorno às atividades ainda indefinidas.

Conforme previsto no inicio da safra 2009/10 pela UNICA, as unidades que produzem etanol e açúcar tem priorizado o açúcar. A produção na segunda quinzena de maio foi de 1,87 milhão de toneladas, 20,96% superior à mesma quinzena da safra passada. No acumulado até 1º de junho, a produção é de 5,04 milhões de toneladas contra 3,20 milhões na safra anterior, superior em 57,38% ao registrado no mesmo período. Mesmo com a queda na produtividade industrial, 43,04% da oferta foi para a produção de açúcar na segunda quinzena de maio. No acumulado, 40,23% da cana colhida foi destinada para o açúcar, contra 37,42% na safra passada.

Quanto à produção de etanol, o volume acumulado desde o início da safra é de 4,61 bilhões de litros, superior em 40,48% ao volume acumulado na safra anterior de 3,28 bilhões de litros. Três motivos levaram a uma expansão no consumo de etanol no mercado interno: o preço competitivo do etanol hidratado em relação ao da gasolina em praticamente todo o território nacional, resultado de preços abaixo do custo de produção pagos às usinas; o incremento da frota de veículos flex; e o aumento nas vendas de etanol produzido no Centro-Sul para complementar o abastecimento das regiões Norte e Nordeste.

No acumulado desde o início da safra, foram comercializados 1,0 bilhão de litros de etanol anidro e 2,70 bilhões de litros de hidratado. Os preços deprimidos também viabilizaram exportações em abril e maio de 580 milhões de litros.

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